AJUDA HUMANITÁRIA

Brasil vai enviar insumos ao centro de diálise destruído em bombardeio na Venezuela

Ponto de distribuição de medicamentos foi atingido durante ataque dos EUA, que sequestraram o presidente Nicolás Maduro

Alexandre Padilha, ministro da saúde
Para Alexandre Padilha, ministro da Saúde, ajuda aos venezuelanos é questão humanitária | Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O governo brasileiro enviará insumos para pacientes que realizam diálise tratamento para compensar o funcionamento dos rins na filtragem do sangue na Venezuela. A informação veio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (5).

“Nós estamos buscando mobilizar, com as nossas estruturas do SUS [Sistema Único de Saúde], com empresas privadas no Brasil, insumos para diálise e medicamentos e vamos dar esse apoio para o povo venezuelano que teve seu centro de distribuição atacado”, afirmou Padilha.

De acordo com informações da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o bombardeio realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela destruiu um centro de distribuição de medicamentos e de tratamento de pacientes renais no estado de La Guaira.

Padilha ressalta que o apoio ao país vizinho é uma parceria humanitária. “A gente não pode esquecer que quando teve um colapso de oxigênio em Manaus, vieram 135 mil m³ de oxigênio da Venezuela para para salvar o povo brasileiro”, lembra o ministro.

Em 2021, em um dos momentos mais críticos da pandemia da Covid 19, o governo venezuelano se articulou com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), para efetivar o envio de caminhões com os tubos de oxigênio. O Governo Federal, então sob o comando de Jair Bolsonaro (PL), se negou a aceitar ajuda da Venezuela na época.

Reforço na fronteira em Roraima

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde está preparado para trabalhar diante de uma possível intensificação do fluxo de migrantes na fronteira entre Brasil e Venezuela.

Após o ataque do dia 3 de janeiro, uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) foi enviada à área para avaliar as estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos em Roraima, estado que faz fronteira com o país. Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região, de acordo com nota publicada no site oficial do ministério.

“Nossa equipe do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que possuem vasta experiência em situações de tragédia, já estão presentes na região identificando, se necessário, estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação”, afirmou Padilha.

De acordo com o ministro, o Ministério da Saúde tem, desde julho de 2025, cerca de 40 profissionais permanentes que fazem o acompanhamento tanto em Pacaraima, município na fronteira com a Venezuela, quanto em Boa Vista, capital de Roraima, para realizar o acolhimento dos venezuelanos que chegam ao Brasil, por meio da Operação Acolhida. “Se preciso, montaremos hospitais de campanha ou expandiremos as estruturas existentes para reduzir os impactos no sistema público brasileiro”, afirmou Padilha.

Criada em 2018 para atender o fluxo migratório da Venezuela para o Brasil, a Operação Acolhida foi totalmente assumida pelo Ministério da Saúde em 2025, após os Estados Unidos suspenderem o financiamento das agências internacionais que apoiavam a estratégia humanitária.

Entenda

Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos atacaram invadindo a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. A ação tinha o objetivo de sequestrar o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, que foram levados para os Estados Unidos. O governo decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.

Durante coletiva de imprensa na tarde de sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário”. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano,.

Acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com o narcotráficos, Maduro se declarou inocente perante a Justiça dos EUA durante a sua primeira audiência, em Nova York, nesta segunda-feira (5). O governo estadunidense não apresentou provas das acusações.

Editado por: Luís Indriunas
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