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Deputados tomam posse na Venezuela 2 dias após ataque dos EUA, pedem libertação de Maduro e convocam unidade nacional

Com cadeira de Cilia Flores vazia, deputados elegem Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, presidente da Assembleia

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Deputado Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidenta Delcy Rodríguez, foi eleito presidente da Assembleia Nacional
Deputado Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidenta Delcy Rodríguez, foi eleito presidente da Assembleia Nacional | Crédito: Reprodução/VTV

Sob estado de comoção e em meio à crise provocada pelos bombardeios realizados pelos Estados Unidos no território venezuelano, deputados e deputadas da Venezuela tomaram posse nesta segunda-feira (5) para o novo período constitucional legislativo (2026–2031).

A sessão foi conduzida pelo deputado decano Fernando Soto Rojas, do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), conforme previsto no regimento interno da Assembleia Nacional.

A cerimônia ocorre dois dias após a ofensiva militar dos EUA, que atingiu áreas civis e militares do país, deixou mais de 80 mortos e resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, primeira-dama da República. A cadeira de Flores esteve visivelmente vazia durante toda a sessão e foi aplaudida por todo o plenário.

Apesar da gravidade do momento, parlamentares governistas e oposicionistas classificaram a instalação da legislatura como um marco importante para reafirmar a força da institucionalidade e da república na Venezuela. O ato foi tratado como uma resposta política e simbólica à ofensiva externa e à tentativa de desestabilização do país.

A nova legislatura foi composta a partir das eleições realizadas em maio de 2025, quando o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) e aliados do chamado Bloco da Pátria conquistaram 253 das 277 cadeiras da Assembleia Nacional, o equivalente a mais de 90% das vagas em disputa.

A cadeira da deputada Cilia Flores de Maduro, sequestrada pelos EUA, simbolicamente vazia durante a sessão
A cadeira da deputada Cilia Flores de Maduro, sequestrada pelos EUA, simbolicamente vazia durante a sessão | Crédito: Telesur

Em discurso emocionado, filho de Maduro pede união e denuncia perseguição

Um dos momentos mais marcantes da instalação foi o discurso do deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente. Visivelmente emocionado, ele homenageou o pai e Cilia Flores, a quem se referiu como “segunda mãe”, e afirmou que o sequestro representa uma violação da soberania nacional e dos princípios do direito internacional.

“Eles não sequestraram apenas um homem. Desafiaram uma estirpe histórica. Se hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país que decida ser livre”, declarou, dirigindo-se aos parlamentares e aos representantes internacionais presentes. Maduro Guerra também denunciou estar sendo alvo de perseguição política, e afirmou que sua família “não é vendável” e que seguirá “defendendo a paz e a dignidade do povo venezuelano”.

Sequestrar um presidente não é apenas um crime contra um país, é uma agressão contra toda a humanidade. Se hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer nação que se recuse a se ajoelhar (Foto: Reprodução/VTV)
Sequestrar um presidente não é apenas um crime contra um país, é uma agressão contra toda a humanidade. Se hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer nação que se recuse a se ajoelhar | Crédito: Reprodução/VTV

Decano relembra fundamentos da Constituição e defende retorno de Maduro

Na abertura dos trabalhos, o deputado Fernando Soto Rojas relembrou trechos do preâmbulo da Constituição Bolivariana de 1999, exaltando os princípios da soberania, da paz e da justiça social. O parlamentar classificou o ataque dos EUA como “bárbaro, covarde e de corte fascista” e disse confiar que o povo venezuelano será capaz de superar o momento.

“O presidente legítimo da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, voltará vitorioso a Miraflores”, afirmou Soto Rojas, antes de dar início à formalidade de instalação da nova legislatura.

Oposição defende pacto nacional

Representando a Aliança Democrática, o deputado oposicionista Timoteo Zambrano também condenou a ofensiva dos Estados Unidos e defendeu o papel do Parlamento na reconstrução da institucionalidade do país. Ele relembrou os anos de enfrentamento político, quando a oposição jogou papel importante para impedir o avanço dos ataques dos EUA. Zambrano afirmou que a Assembleia Nacional precisa ser protagonista de um “grande pacto nacional” para garantir estabilidade e soberania.

“Delcy Rodríguez precisa da fortaleza deste Parlamento para que seu governo transicional tenha condições de enfrentar a agressão permanente do senhor Trump. Não é possível seguir em caminhos unilaterais. O país precisa de unidade”, afirmou.

Zambrano defendeu ainda que a legislatura recém-instalada retome experiências anteriores de articulação nacional, como o Conselho Nacional pela Soberania e pela Paz.

Jorge Rodríguez é eleito presidente da Assembleia Nacional

A sessão foi encerrada com a eleição da nova diretiva da Assembleia Nacional. Com maioria absoluta, os parlamentares elegeram a chapa do Bloco da Pátria, encabeçada por Jorge Rodríguez, que assume a presidência da casa. Rodríguez é irmão da presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Ao juramentar a posse, ele afirmou que assume a função em um momento “difícil para a pátria” e que não dará “repouso ao braço” até cumprir os propósitos que lhe foram confiados como presidente do Parlamento. Segundo ele, o compromisso é com a vida plena, a paz e o cumprimento da Constituição da República Bolivariana da Venezuela.

Rodríguez declarou ainda que a Assembleia deve ser um espaço de diálogo e de confronto de ideias, mas, sobretudo, de unidade nacional, para enfrentar os obstáculos e agressões impostos ao país. “Não temerei o diálogo”, disse, acrescentando que exigirá “disciplina e respeito pelas opiniões dos outros”.

A chapa da oposição democrática, liderada por Rubén Lima, da Aliança Democrática, foi derrotada na votação.

A nova legislatura inicia seus trabalhos sob o impacto direto da ofensiva militar estadunidense e com o desafio de conduzir institucionalmente o país diante da ausência forçada de seu presidente eleito.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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