xadrez global

Ataque à Venezuela ilustra reformulação da política externa dos EUA

Clarissa Forner, professora de RI da Uerj, destaca que, nas últimas décadas, o foco estava no Oriente Médio

No audio source provided.
donald trump discursa
Presidente dos EUA Donald Trump | Crédito: AFP

Depois de décadas de intervenções focadas na região do Oriente Médio, os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump apresentam agora uma postura distinta em sua política externa. O ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, mostram que a América Latina voltou ao centro da agenda.

Em entrevista nesta terça-feira (6) ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a professora de Relações Internacionais Clarissa Forner, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), afirmou que a ação do último dia 3 de janeiro é uma amostra de que a política imperialista mudou de foco.

“Essa reformulação da política externa dos Estados Unidos, apesar de não ser necessariamente nova, tem histórico bastante amplo de interferências dos Estados Unidos em nosso espaço regional e geopolítico, ela é ressignificada neste contexto contemporâneo. Até então a América Latina não era colocada necessariamente como prioridade nos últimos anos”, destacou.

Desde o início do século 21, os diferentes governos que passaram pela Casa Branca não mediram esforços para impor sua presença no Oriente Médio. Clarissa Forner explica que o objetivo era orquestrar um rebalanceamento da Ásia, especialmente para conter o avanço da China. Os chineses, porém, também têm importantes redes de negócios na América Latina, região onde Trump tenta se impor à força.

“Ainda que a América Latina não tenha saído de cena, já que a presença dos EUA continuava de diferentes maneiras, é, no contexto mais recente, a primeira vez que a gente vê a região colocada de fato como prioridade estratégica”, complementou Forner.

A pesquisadora destacou que é difícil prever os próximos movimentos, já que para uma eventual campanha militar ostensiva o governo Trump dependeria de aval do congresso dos Estados Unidos, algo que não seria conquistado facilmente. Entretanto, ele deixa claro que não pretende retroceder.

“Uma intervenção direta como essa coloca muitas questões e muitas dúvidas sobre o que vem adiante: se a gente vai observar uma continuidade desses processos, tanto em outros países quanto na própria Venezuela, tudo está aberto, ainda”, resumiu a especialista.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

|

Newsletter