8 DE JANEIRO

Porto Alegre convoca ato em defesa da democracia e da soberania latino-americana

Mobilização nesta quinta-feira (8), na Esquina Democrática, marca três anos da tentativa de golpe e luta por democracia

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A manifestação está marcada para as 17h30, na Esquina Democrática
Data marca os três anos da tentativa de golpe de Estado no Brasil, em 8 de janeiro de 2023, e também é impulsionada pelo recente ataque à Venezuela | Crédito: ana c

A capital gaúcha realiza, nesta quinta-feira (8), o terceiro ato em defesa da democracia, da soberania nacional e da autodeterminação dos povos da América Latina. A manifestação está marcada para as 17h30, na Esquina Democrática, e é organizada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com participação de movimentos populares e sindicais.

A data marca os três anos da tentativa de golpe de Estado no Brasil, em 8 de janeiro de 2023, e também é impulsionada pelo recente ataque à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, Cilia Flores, em uma ofensiva comandada pelo governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump. Entre as palavras de ordem do ato estão o “sem anistia aos golpistas”, o veto à Lei da Dosimetria e a defesa da soberania do Brasil e da América Latina.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Amarildo Cenci, o 8 de janeiro é uma data simbólica de afirmação democrática. “O dia 8 de janeiro é uma data de afirmação da democracia e de luta para que no Brasil e em nenhum país do mundo a gente resista a qualquer tentativa de ataques à democracia, a um Estado de direitos construído pela população”, afirmou.

Segundo Cenci, a soberania popular se expressa na Constituição brasileira, adotada pelo povo como patrimônio coletivo. “Qualquer atitude que afronte essa decisão tem que ser rejeitada, recusada, e ser objeto da luta de afirmação dos nossos direitos, da nossa Constituição e da democracia”, disse. Ele também destacou a gravidade da tentativa de golpe, que incluiu ameaças ao presidente eleito e ao Supremo Tribunal Federal. “Esse atentado tem que ser respondido com muita mobilização, com muita presença nas ruas dos movimentos e do povo brasileiro.”

O dirigente sindical também relacionou a defesa da democracia brasileira à conjuntura internacional. “O dia 8 ganha ainda mais sentido quando a gente vê o sequestro de um chefe de Estado feito por um império decadente, no caso o americano, que quer subjugar todo o continente.”

Para Cenci, o episódio da Venezuela revela uma estratégia de dominação sobre as riquezas naturais da América Latina. “Na Venezuela, o petróleo e o ouro; no Brasil, a água e as terras raras; na Argentina, o gás; na Bolívia, o lítio. É um alinhamento para transformar a América Latina num protetorado americano, numa colônia, o que é absolutamente inconcebível e inaceitável. E as ruas é a nossa resposta. Mobilizados, organizados e com uma visão nítida de projetos que a gente precisa defender e lutar.”

Reafirmação da luta

Integrante da Frente Brasil Popular, o secretário de Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RS), Alex Saratt, destacou que o 8 de janeiro já se consolidou como um marco no calendário de lutas do movimento social brasileiro. “Nós teremos, neste 8 de janeiro, um encontro da militância, do ativismo e principalmente da cidadania em defesa da democracia, contra qualquer forma de anistia ou dosimetria para livrar os golpistas das punições devidamente apuradas, julgadas e sentenciadas”, informou.

Saratt ressaltou que a defesa da democracia está articulada à luta pela soberania nacional, especialmente após medidas como o tarifaço imposto pelo governo Trump. “O mesmo governo que agora atacou a Venezuela e sequestrou o presidente legítimo Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores”, disse. Segundo ele, trata-se de uma política expansionista, colonialista e bélica, que ameaça a paz na América Latina e no Caribe. “Isso coloca em risco a autonomia e a autodeterminação dos povos latino-americanos.”

Para o dirigente, o ato também expressa solidariedade internacional. “Os brasileiros estarão mobilizados para defender a nossa democracia e a nossa soberania, mas também unidos e solidários com os demais povos latino-americanos, em especial o povo venezuelano, na defesa da integridade da Venezuela e pelo retorno do presidente Maduro ao seu posto”, defendeu. “O 8 de janeiro reúne as lutadoras e lutadores sociais brasileiros e se afirma como um momento de unidade latino-americana para barrar a extrema direita e reafirmar a democracia.”

A dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/RS), Lara Rodrigues, também reforçou a convocação para o ato. “Nós, do MST, juntamente com todos os movimentos do campo popular, estamos convocando esse ato para o dia 8 de janeiro, que é um marco na luta pela democracia, em contraponto aos ataques golpistas que sofremos em 2023”, disse.

Segundo Rodrigues, os ataques à democracia no Brasil fazem parte de um processo mais amplo, que atinge outros países da América Latina. “São ações fascistas para derrubar processos democráticos e que tendem a se intensificar”, afirmou. Ela destacou que o movimento irá às ruas em defesa da democracia, da soberania e em solidariedade ao povo venezuelano.

“Vamos denunciar o sequestro do presidente Maduro e da Cilia, seguir na resistência e na construção de força popular para manter o processo democrático no Brasil e na América Latina. Nós somos solidários ao povo venezuelano e vamos seguir em monitoramento, pedindo a libertação do presidente Maduro”, ressaltou.

Editado por: Katia Marko

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