povo nas ruas

Sem acordo com governo, sindicatos da Bolívia anunciam bloqueio das rodovias do país

Manifestantes exigem derrubada do decreto que resultou no aumento do preço dos combustíveis

Manifestantes protestam em La Paz, capital da Bolívia
Manifestantes protestam em La Paz, capital da Bolívia | Crédito: Jorge Bernal/AFP

A Central Obrera de Bolivia (COB), principal organização sindical do país, anunciou que dará início a um bloqueio nacional das rodovias a partir desta terça-feira (6). Desde o fim de 2025, sindicatos e movimentos populares têm organizado manifestações em protesto contra o decreto.

Na segunda-feira, as forças de segurança bolivianas usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes que tentavam chegar à Plaza Murillo, em La Paz, onde estão localizados prédios governamentais como a Casa Grande del Pueblo (Grande Casa do Povo). O grupo buscava levar suas reivindicações às autoridades.

A mobilização é uma resposta ao fracasso do diálogo com o governo sobre a derrubada do Decreto Supremo 5503, que muda diversas regras para a exploração de recursos naturais no país.

“Isso é para que o governo entenda que não se trata apenas de um capricho de um setor”, declarou o secretário executivo da COB, Mario Argollo, em uma coletiva de imprensa, sobre o objetivo dos bloqueios das estradas. “Hoje vocês viram a marcha massiva liderada pela COB, com a participação de todos os setores. Outros setores se juntaram ao longo do caminho. A única exigência ao governo é que revogue este decreto maldito”, disse.

Policiais bloqueiam acesso de manifestantes que protestam contra mudanças nas regras para exploração de recursos naturais em La Paz
Policiais bloqueiam acesso de manifestantes que protestam, em La Paz, contra mudanças nas regras para exploração de recursos naturais | Crédito: Jorge Bernal/AFP

Entenda

Editado pelo governo de Rodrigo Paz, presidente da Bolívia eleito em 2025, sob o argumento de enfrentar a crise fiscal, o Decreto Supremo 5503 elimina subsídios aos combustíveis, facilita a liberação dos controles ambientais e legais e concentra no Executivo decisões estratégicas sobre exploração de recursos naturais, desrespeitando o papel do Legislativo.

Por quase 20 anos, a Bolívia manteve preços baixos dos combustíveis, sob o governo do Movimento para o Socialismo (MAS). Agora, sob o comando do governo de centro-direita, o preço da gasolina subiu de 3,74 bolivianos (aproximadamente meio dólar) para 6,96 bolivianos (quase um dólar) por litro, enquanto o diesel passou de 3,72 bolivianos (meio dólar) para 9,80 bolivianos (1,50 dólar) por litro. O aumento elevou a tarifa dos transportes, impactando o custo de vida no país.

Na semana do Natal, a COB passou a liderar uma série de mobilizações nacionais, com apoio de sindicatos do setor mineiro, agricultores, professores e médicos. Os atos se intensificaram após a confirmação do aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel.

Mesmo durante os feriados, os protestos se mantiveram ativos, com greves de fome, marchas e ocupações. Os manifestantes afirmam que não se trata apenas de um “gasolinaço”, mas de um projeto de desmonte do Estado, que coloca os interesses do mercado acima dos direitos sociais e da soberania nacional.

Editado por: Luís Indriunas

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