A Central Obrera de Bolivia (COB), principal organização sindical do país, anunciou que dará início a um bloqueio nacional das rodovias a partir desta terça-feira (6). Desde o fim de 2025, sindicatos e movimentos populares têm organizado manifestações em protesto contra o decreto.
Na segunda-feira, as forças de segurança bolivianas usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes que tentavam chegar à Plaza Murillo, em La Paz, onde estão localizados prédios governamentais como a Casa Grande del Pueblo (Grande Casa do Povo). O grupo buscava levar suas reivindicações às autoridades.
A mobilização é uma resposta ao fracasso do diálogo com o governo sobre a derrubada do Decreto Supremo 5503, que muda diversas regras para a exploração de recursos naturais no país.
“Isso é para que o governo entenda que não se trata apenas de um capricho de um setor”, declarou o secretário executivo da COB, Mario Argollo, em uma coletiva de imprensa, sobre o objetivo dos bloqueios das estradas. “Hoje vocês viram a marcha massiva liderada pela COB, com a participação de todos os setores. Outros setores se juntaram ao longo do caminho. A única exigência ao governo é que revogue este decreto maldito”, disse.

Entenda
Editado pelo governo de Rodrigo Paz, presidente da Bolívia eleito em 2025, sob o argumento de enfrentar a crise fiscal, o Decreto Supremo 5503 elimina subsídios aos combustíveis, facilita a liberação dos controles ambientais e legais e concentra no Executivo decisões estratégicas sobre exploração de recursos naturais, desrespeitando o papel do Legislativo.
Por quase 20 anos, a Bolívia manteve preços baixos dos combustíveis, sob o governo do Movimento para o Socialismo (MAS). Agora, sob o comando do governo de centro-direita, o preço da gasolina subiu de 3,74 bolivianos (aproximadamente meio dólar) para 6,96 bolivianos (quase um dólar) por litro, enquanto o diesel passou de 3,72 bolivianos (meio dólar) para 9,80 bolivianos (1,50 dólar) por litro. O aumento elevou a tarifa dos transportes, impactando o custo de vida no país.
Na semana do Natal, a COB passou a liderar uma série de mobilizações nacionais, com apoio de sindicatos do setor mineiro, agricultores, professores e médicos. Os atos se intensificaram após a confirmação do aumento de 86% no preço da gasolina e de 160% no diesel.
Mesmo durante os feriados, os protestos se mantiveram ativos, com greves de fome, marchas e ocupações. Os manifestantes afirmam que não se trata apenas de um “gasolinaço”, mas de um projeto de desmonte do Estado, que coloca os interesses do mercado acima dos direitos sociais e da soberania nacional.
