O sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, realizado pelos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro, deixou ouriçados líderes de direita e extrema direita em todo o mundo. Empolgados com a nova empreitada de Donald Trump, porém, eles parecem esquecer que o presidente dos Estados Unidos não é plenamente fiel a seus parceiros ideológicos.
Em entrevista nesta terça-feira (6) à primeira edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanda Harumy, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam/USP), citou mudanças recentes na postura do presidente Donald Trump.
Para Harumy, Trump percebeu que o bolsonarismo não tem tanta força e capilaridade no Brasil quanto seus líderes propagavam e, por isso, deixou de lado o antes aliado Jair Bolsonaro (PL). Na Venezuela, a situação se repete.
“Da mesma forma que ele já descartou a María Corina na Venezuela, ele não é fiel a seu campo de direita. Ele tem uma agenda própria, uma política própria, cujos interesses são os dos Estados Unidos”, afirmou a especialista.
Harumy afirmou, ainda, que o trumpismo faz interpretações particulares das normas do direito internacional para justificar ações como a intervenção na Venezuela. Ao acusar o presidente venezuelano de envolvimento com o narcotráfico, mesmo sem provas, ele afirma ter respaldo para agir.
“Os Estados Unidos utilizam uma perspectiva que é: ‘O Maduro não é reconhecido por mais de 50 países como presidente’. Segundo a interpretação dos Estados Unidos, o Maduro não é presidente, é um criminoso, um traficante, então eles podem usar do direito internacional, a partir da extraterritorialidade para fazer uma operação que eles dizem ter caráter e interesse doméstico aos EUA por conta das questões sobre as drogas”, explicou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
