infiel

Trump tem uma ‘política própria’ e considera apenas interesses dos EUA, segundo analista internacional

Amanda Harumy lembra que o presidente dos EUA já descartou aliados de extrema direita, como Bolsonaro

No audio source provided.
Professor da PUC-SP critica mediação de Trump e afirma que Washington é peça central no conflito
Trump tentou impedir a divulgação dos documentos | Crédito: Jonathan Ernst

O sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, realizado pelos Estados Unidos no último dia 3 de janeiro, deixou ouriçados líderes de direita e extrema direita em todo o mundo. Empolgados com a nova empreitada de Donald Trump, porém, eles parecem esquecer que o presidente dos Estados Unidos não é plenamente fiel a seus parceiros ideológicos.

Em entrevista nesta terça-feira (6) à primeira edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanda Harumy, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam/USP), citou mudanças recentes na postura do presidente Donald Trump.

Para Harumy, Trump percebeu que o bolsonarismo não tem tanta força e capilaridade no Brasil quanto seus líderes propagavam e, por isso, deixou de lado o antes aliado Jair Bolsonaro (PL). Na Venezuela, a situação se repete.

“Da mesma forma que ele já descartou a María Corina na Venezuela, ele não é fiel a seu campo de direita. Ele tem uma agenda própria, uma política própria, cujos interesses são os dos Estados Unidos”, afirmou a especialista.

Harumy afirmou, ainda, que o trumpismo faz interpretações particulares das normas do direito internacional para justificar ações como a intervenção na Venezuela. Ao acusar o presidente venezuelano de envolvimento com o narcotráfico, mesmo sem provas, ele afirma ter respaldo para agir.

“Os Estados Unidos utilizam uma perspectiva que é: ‘O Maduro não é reconhecido por mais de 50 países como presidente’. Segundo a interpretação dos Estados Unidos, o Maduro não é presidente, é um criminoso, um traficante, então eles podem usar do direito internacional, a partir da extraterritorialidade para fazer uma operação que eles dizem ter caráter e interesse doméstico aos EUA por conta das questões sobre as drogas”, explicou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

|

Newsletter