Manter a paz

Assembleia da Venezuela anuncia libertação de presos venezuelanos e estrangeiros para ‘consolidar a paz’

Não foram divulgados nomes das pessoas que serão liberadas; presidente da assembleia fala em 'convivência pacífica'

Jorge Rodríguez foi definido em 2024 como o responsável pelas negociações com o então governo de Joe Biden - Federico PARRA / AFP
Jorge Rodríguez foi definido em 2024 como o responsável pelas negociações com o então governo de Joe Biden | Crédito: Federico Parra/AFP

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a liberação de presos venezuelanos e estrangeiros com o objetivo de manter a paz e a convivência pacífica no país depois do bombardeio estadunidense e do sequestro do presidente Nicolás Maduro

De acordo com Rodriguez, essa foi uma decisão unilateral tomada pelo governo venezuelano depois de uma sugestão feita pelo Conselho Nacional pela Soberania e Paz da Venezuela, grupo criado depois dos ataques dos Estados Unidos que reúne ministros e lideranças políticas e militares para buscar respostas à sociedade diante da violência promovida por Washington. 

“Para colaborar com o esforço que todos devemos fazer para a união nacional e a convivência pacífica junto às instituições do Estado, decidimos colocar em liberdade um número significativo de pessoas venezuelanas e estrangeiras e isso está acontecendo agora. Para reforçar nossa decisão de consolidar a paz e a convivência pacífica entre todos, sem distinção política, religiosa, econômica e social. Todos somos venezuelanos e venezuelanas e estamos sob o mesmo céu lindo”, disse Jorge Rodriguez.

O presidente do Legislativo não deu detalhes de porque o governo estaria tomando essa decisão que envolve pessoas estrangeiras. No entanto, durante o seu pronunciamento, Rodríguez agradeceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e o reino do Catar.

Venezuela e EUA tiveram um encontro no Catar no final de 2023, quando foi assinado um acordo determinando que Washington liberasse o empresário Alex Saab e, em troca, Caracas libertaria 10 estadunidenses presos no país. As conversas foram mediadas pelo governo catari. As duas partes também falaram sobre a derrubada das sanções e questões migratórias. Dessa vez, não foram divulgados detalhes sobre um acordo para a libertação dos presos. 

“Considerem um gesto do governo de busca da paz, como o aporte que todos devemos fazer para que nossa República continue pacífica”, reforçou Rodriguez. 

Pessoas ligadas ao governo venezuelano entendem essa não foi uma condição imposta pelos Estados Unidos, já que “eles não estão preocupados com os direitos humanos, só com o petróleo”. Diplomatas afirmaram ao Brasil de Fato que é preciso esperar para ver se há “nomes importantes” na lista de liberados para entender o alcance dessa medida. 

O presidente do Legislativo também negou que o governo veneuelano esteja em diálogo com a extrema direita venezuelana porque eles são a “negação da política” e que as conversas se dão com instituições, partidos e organizações políticas que se “atenham ao que está estabelecido na Constituição”.

Jorge Rodríguez foi definido em 2024 como o responsável pelas negociações com o então governo de Joe Biden para “ampliar e melhorar” os diálogos. As negociações fora retomadas logo antes das eleições que deram a vitória a Nicolás Maduro e tinham como objetivo reduzir as sanções contra a economia da Venezuela. A delegação venezuelana era chefiada por Rodríguez, e pelo ministro da Educação, Héctor Rodríguez

Na ocasião, as duas partes se comprometeram em manter as comunicações “de maneira respeitosa e construtiva” e se mostraram dispostas a “trabalhar em conjunto para ganhar confiança e melhorar as relações”.

Ainda durante a declaração desta quinta, Jorge minimizou a declaração da estatal petroleira venezuelana PDVSA, que anunciou que mantinha negociações com os Estados Unidos. 

“Essa é uma simples venda, uma transição entre dois governos legítimos e independentes. Isso não é algo novo, a Venezuela vende petróleo para os EUA há mais de 100 anos”, afirmou. 

Editado por: Luís Indriunas

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