As previsões de dias de calor extremo foram confirmadas já nos primeiros dias de verão ainda em dezembro e a perspectiva é a de que esses dias se repitam de forma esporádica nos próximos meses. Uma situação que exige cuidados especiais e medidas de saúde pública desde a instalação de totens de refrigeração a cancelamentos de eventos públicos. “O cenário de mudanças climáticas torna o clima mais imprevisível, e esses picos de temperatura são a maior preocupação para a saúde da população”, explicou ao Brasil de Fato o coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Diego Xavier.
Em dias de calorão, as atividades mais corriqueiras como preparar uma comida ou se concentrar no trabalho ficam mais difíceis. A recomendação dos especialistas é que a alimentação seja leve, além da necessidade de beber água de forma constante. Bebidas alcoólicas, cafeinadas e com açúcar devem ser evitadas porque facilitam a desidratação. Então é melhor deixar a cervejinha, o chá mate e o refrigerante para outra hora.
Entre os sintomas causados pelas altas temperaturas estão câimbras, tontura, cansaço e enjoo. Em situações mais graves, pode haver “golpe de calor”. Nessa situação, a temperatura corporal ultrapassa 40º e pode levar a confusão mental, problemas cardiovasculares e respiratórios.
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Níveis de calor
Desde 2024, a prefeitura do Rio de Janeiro adotou um protocolo de medidas a serem adotadas para uma variada faixa de temperatura. Os níveis de preocupação vão de 1 (sem alertas) a 5 (alerta máximo) e é considerado pioneiro no Brasil. “Sua principal força é não se basear apenas na temperatura do termômetro, mas no índice de Calor, que combina temperatura e umidade do ar, refletindo de forma mais precisa a sensação térmica e o impacto no corpo humano”, explica Diego Xavier.
Nos níveis um e dois, a temperatura não ultrapassa 36ºC por mais de quatro horas diárias. Já no terceiro nível a temperatura fica entre 36ºC e 40ºC. Nesses casos, as equipes de saúde devem ter atenção aos públicos mais vulneráveis, como idosos e crianças. Até o nível 3, além desse monitoramento, as principais ações estão relacionadas à comunicação com a população.
No nível 4 e 5, quando as temperaturas ficam entre 40-44ºC ou superiores, a prefeitura deve instalar pontos de hidratação pela cidade e as atividades externas devem ser realizadas em ambiente interno refrigerado. Nesses casos também se deve considerar o cancelamento de atividades externas.
Ações preventivas
Em meio a intensificação das mudanças climáticas, não é preciso esperar os dias de calor chegarem para adotar medidas que atenuem seus impactos. A primeira medida sugerida por Xavier é o aumento de áreas verdes na cidade, com criação de parques e corredores verdes. A preservação de rios, lagoas e orla.
Em agosto, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAC) criou o Observatório de Monitoramento do Calor no Complexo do Alemão para evidenciar a variação de temperatura entre as áreas mais próximas a praias e mais arborizadas e as mais distantes. Um estudo realizado pelo Centro de Estudos das Favelas da Universidade Federal do ABC (UFABC) mostrou variações de temperatura de 15º na capital paulistana devido à arborização.
Outra iniciativa da SMAC é disponibilizar o número 1746 para a população solicitar o plantio de árvores na sua região. “Estamos trabalhando para mitigar esses impactos, fortalecendo a prevenção e a resposta rápida a esses eventos. Algumas medidas para proteger a população nos dias mais quentes foram priorizadas, protegendo idosos, crianças e trabalhadores expostos ao sol. Isso é compromisso com a vida e com o futuro da cidade”, disse a secretária da SMAC ao Brasil de Fato, Tainá de Paula.
E ainda há medidas que podem ser adotadas pelo cidadão individualmente, como a substituição de superfícies escuras por materiais de cores claras e mais reflexivos. “A simples pintura de telhados de branco e o uso de pavimentos mais claros podem reduzir significativamente a temperatura local”, orienta o pesquisador da Fiocruz.
