caso Master

Soltura de Daniel Vorcaro foi equívoco, avalia advogada

Para Flávia Lefèvre, a possibilidade de manipulação da opinião pública era evidente

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Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro | Crédito: Banco Master/Divulgação

A decisão da Justiça Federal pela soltura de Daniel Vorcaro e de outros quatro sócios do Banco Master, em novembro do ano passado, foi um equívoco, na avaliação da advogada Flávia Lefèvre, especializada em direito do consumidor. Um exemplo disso é a suposta contratação de influenciadores para publicar mensagens contra o Banco Central (BC) no processo de liquidação do Master, conforme apontam as investigações.

“Era óbvio que, com o poder financeiro que eles têm, e com os interesses todos que eles têm, que eles iriam manipular [a opinião pública]. Entre as manipulações, essa é a que a gente ficou sabendo, está essa de contratar, a valores milionários, mais de quarenta influenciadores para fazerem uma campanha de desinformação, porque a atuação do Banco Central está estritamente dentro da lei”, apontou a advogada, em entrevista ao jornal Conexão BdF, do Brasil de Fato, nesta sexta-feira.

A especialista lembra que há pelo menos 1,2 milhão de consumidores lesados no caso. Há, por exemplo, participantes de fundos de previdência que tiveram enormes prejuízos que não serão cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas mesmo aqueles que vão reaver os investimentos feitos quando for liberada a verba do FGC terão prejuízos, já que o dinheiro não está rendendo.

“Os consumidores que têm créditos até R$ 250 mil, que é o valor garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito, terão o ressarcimento com correção e juros até a data da decretação da liquidação [do Master]. A partir dali receberão o valor, se tudo der certo, com correção monetária, mas não com juros e remuneração que o consumidor aplicou”, explicou.

Para a jurista, o BC agiu corretamente ao determinar a liquidação do Master, já que bancos como XP, BTG Pactual e Nubank, que comercializavam produtos oferecidos pelo banco de Vorcaro, já tinham percebido que a administração era temerária.

“Agora, como investiga a Polícia Federal, essa administração muito possivelmente é criminosa. Ao contrário do que se diz, de que o Banco Central teria sido açodado na sua decisão, eu penso o contrário. Acho até que demorou”, opinou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Nathallia Fonseca

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