mês de luta

Janeiro Lilás é o mês da visibilidade trans: ‘Não queremos privilégio’, diz dirigente da Antra

Mesmo subnotificados, casos de assassinatos passam dos 100 todos os anos no Brasil

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Somente em 2024, foram registrados 122 assassinatos de pessoas trans e travestis no Brasil
Somente em 2024, foram registrados 122 assassinatos de pessoas trans e travestis no Brasil | Crédito: Tomaz Silva / Agência Brasil

Todos os anos, mais de 100 travestis e transexuais são assassinadas no Brasil, conforme levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Esses dados são subnotificados, segundo a própria entidade, que explica que as dimensões continentais do Brasil dificultam a apuração dos números e o acesso a todos os casos. Os dados de 2025 ainda não foram totalmente contabilizados e só devem ser divulgados no fim do mês, mas a direção da associação adianta: a violência persiste.

O primeiro mês do ano é, desde 2004, o mês da visibilidade trans, que ficou conhecido como Janeiro Lilás, um período para discussão de pautas e direitos da população transgênero no Brasil. Nesta segunda-feira (12), o jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, recebeu Keila Simpson, ex-presidenta e atualmente secretária da Antra.

Em 2024, foram contabilizados 122 assassinatos de pessoas trans e travestis no país, número menor que os 145 de 2023. Para Keila Simpson, não é possível apontar uma queda efetiva.

“Desde que a gente começou a fazer esse levantamento, de 2017 para cá, a gente tem tido dados muito altos sobre assassinatos de pessoas trans. A queda poderia acontecer se houvesse de fato alguma proposição de política para erradicar esses crimes, mas isso não acontece. Não é uma queda, é uma subnotificação. Os dados alternam: um ano tem maior número, outro maior, outro menor”, afirmou.

Os levantamentos apontam ainda que a maioria dos inquéritos abertos contra as pessoas indiciadas e presas pelo cometimento desses crimes não chega ao fim, e não é feita justiça. “Essa impunidade que a gente vê na investigação, na apresentação de inquéritos e em todo o processo também indica a essas pessoas que elas podem cometer esses assassinatos que nada vai acontecer”, lamenta a dirigente da Antra.

Apesar da continuidade dos casos de assassinatos de pessoas trans, Keila Simpson reconhece avanços vividos nos anos recentes e também nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na passagem de Dilma Rousseff (PT) pela presidência da República.

Ela conta que a população trans passou a frequentar o sistema de saúde graças a políticas lançadas nos governos petistas, e por isso é preciso trabalhar, neste ano eleitoral, em busca de “um governo que dialoga” com a comunidade.

Apesar dos elogios, a secretária da Antra aproveita o mês da visibilidade trans para cobrar a implementação efetiva do Programa de Atenção Especializada em Saúde para a População Trans. Desenvolvido por movimentos populares, pesquisadores e pesquisadoras, profissionais da área de saúde e outros grupos, o projeto é considerado “o melhor do mundo para a população trans”, mas ainda não saiu do papel.

“Não queremos privilégio. Queremos apenas ampliar a possibilidade de essas pessoas continuarem acessando um serviço de saúde para não precisar inflar a alta complexidade com as demandas porque não conseguiram fazer prevenção”, resumiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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