O ano letivo de 2026 das escolas públicas municipais e estaduais está bem próximo do seu início e é justamente nesse período que começam as preocupações dos pais em relação às matrículas de seus filhos. A Rede Municipal de Ensino de Fortaleza já realizou as matrículas de alunos novatos e veteranos, mas a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) segue com o cadastro para matrícula aberto até o dia 21 de janeiro de 2026.
Rede Estadual de Ensino
De acordo com informações divulgadas pelo governo do estado, o princípio da equidade é o eixo central do processo e garante que populações prioritárias façam matrícula antes do público geral. “Entre os grupos contemplados estão pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estudantes da Educação Especial — incluindo pessoas com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e Altas Habilidades/Superdotação —, dependentes de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, além de jovens em condições de vulnerabilidade social”, informa.
Em Fortaleza, a matrícula desse público ocorre até o dia 14 de janeiro. Já nos demais municípios, a matrícula dos grupos prioritários foi realizada até o dia 7 de janeiro.
A Seduc explica que a matrícula dos alunos veteranos é realizada de forma automática em todo o estado e que esse procedimento já foi feito no ano passado, em um período que seguiu até o dia 31 de dezembro.
Para os alunos novatos e oriundos da rede municipal de Fortaleza que pretendem ingressar em uma escola regular (tempo parcial ou tempo integral) ou em um Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), o cadastro para matrícula ocorre até o dia 21 de janeiro deste ano.
Nos demais municípios do estado, os alunos oriundos da rede municipal poderão realizar a matrícula em unidades de ensino da rede estadual até o dia 14 de janeiro, enquanto os novatos serão matriculados nos dias 15 e 16 do mesmo mês.
Rede Municipal de Ensino de Fortaleza
Já a Secretaria Municipal da Educação (SME) de Fortaleza informou, no site da Prefeitura de Fortaleza, que as matrículas de alunos novatos foram realizadas no ano passado, até o dia 19 de dezembro. As vagas abrangiam a pré-escola, o ensino fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Vale lembrar que, mesmo após o período oficial de matrículas, a Rede Municipal de Fortaleza mantém matrículas abertas durante todo o ano, assegurando o direito à educação.
O que dizem as mães?
A dona de casa Maria Soares é mãe de três filhos. Dois deles são estudantes de escolas municipais. Ela informa que as matrículas para este ano letivo foram muito tranquilas. “Não teve filas grandes. Como um dos meus filhos foi remanejado de outra escola para a atual, a escola já estava ciente da chegada dele e da série que ele iria estudar. Meu outro filho, que já estudava na escola, não teve tanta burocracia: foi só confirmar a permanência dele na mesma escola. Foi tudo muito organizado. Cada dia era uma série diferente. Primeiro os novatos e, por último, os veteranos”.
A auxiliar administrativa Tamilis Marjory é mãe de duas filhas, e cada uma estuda em uma rede de ensino diferente. Marjory informa que sua filha de 16 anos estuda, desde o ano passado, na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Professor César Campelo, mas que foi muito difícil conseguir essa matrícula. De acordo com ela, chegou até a entrar em uma fila de espera.
Já sua filha de 12 anos é estudante da Rede Municipal de Ensino de Fortaleza, mas Marjory afirma que não está muito contente com o ensino da unidade e está procurando outra escola para a filha. “É aí que vem a dificuldade, pois já andei em diversas escolas e em todas dou com a porta na cara. Nunca tem vaga, vai para fila de espera, tem que ficar ligando até surgir uma vaga, tem que aguardar, e isso se torna cansativo, pois temos que trabalhar e acabamos perdendo tempo. Estou na luta por uma vaga e até agora não consegui”.
“Cada ano é uma batalha nova nas escolas, sempre há dificuldades. As escolas divulgam um número de vagas e, quando procuramos, não tem. A gente fala com secretário, com diretora, com todo mundo, e todos vêm com a mesma resposta: ‘infelizmente não temos mais vaga’. Aí fico me perguntando: ‘para onde vai tanta vaga?’. A pessoa tem que se obrigar a madrugar nas escolas para conseguir uma vaga, correndo risco, perigo. Todo ano é a mesma coisa: não há mudança para melhor, apenas piora”, desabafa Marjory.
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