oriente médio

Revolta no Irã é real, mas insuflada por EUA e Israel, destaca analista

Hugo Albuquerque destaca que Trump e Netanyahu tentam tumultuar o ambiente do país diante de incerteza sobre invasão

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Protestos em Teerã em dezembro de 2025
Protestos em Teerã em dezembro de 2025 | Crédito: FARS NEWS AGENCY / AFP

A onda de protestos no Irã desde os últimos dias de 2025 foi motivada por uma revolta legítima de parte da população, mas cresce por conta do apoio dos Estados Unidos de Israel. A avaliação é do analista geopolítico Hugo Albuquerque, que participou do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta terça-feira (13).

Albuquerque destaca que o levante começou por conta de uma crise econômica severa. Em 2025, a inflação no país foi superior a 40%. A moeda local, o rial, sofreu forte desvalorização, com perdas de 60% desde setembro. Os preços dos alimentos subiram mais de 70%. O custo dos insumos médicos, acima de 50%.

 “O Irã é um país muito jovem, muitos iranianos nasceram depois da revolução islâmica, e eles reivindicam um pouco mais de liberdade, um afrouxamento de regras religiosas”, destacou o analista, apontando mais um motivo para a revolta. “Mas isso tem sido operacionalizado pelos inimigos do Irã”, complementou, em referência aos regimes liderados por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Para Albuquerque, os opositores do Irã trabalham para que o regime hoje chefiado pelo aiatolá Ali Khamenei seja derrubado pela população, e volte ao poder a dinastia Pahlavi, que foi a última a ocupar o cargo de xá, como era conhecido o rei, que chefiava o Irã antes da revolução islâmica que derrubou Mohammad Reza Pahlavi. O primogênito dele e potencial herdeiro, Reza Pahlavi, vive nos Estados Unidos e, de lá, convoca protestos.

Os Estados Unidos querem evitar invadir o território do Irã, apesar da pressão feita por Israel. No ano passado, uma guerra de 12 dias terminou sem que as instalações nucleares iranianas fossem inviabilizadas e, segundo aposta Hugo Albuquerque, o país reforçou sua capacidade de defesa.

“Hoje, todo mundo sabe, seria muito delicado para o Trump convocar centenas de milhares de soldados para botar o pé no Irã, não ia ser uma guerra qualquer. Por isso eles estão querendo criar um cenário de disputa interna. Mas nada aponta que o regime vai cair”, avaliou o especialista.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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