A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, apresentou nesta quinta-feira (15) a mensagem anual da presidência à nação diante da Assembleia Nacional, em Caracas. A sessão começou com um minuto de aplausos em homenagem aos mais de 100 mortos no ataque de 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram sequestrados por forças dos Estados Unidos.
No discurso, Rodríguez afirmou que o país segue sob ameaça externa e convocou os setores políticos a manterem a unidade interna. “Eu os convido, como venezuelanos e venezuelanas, a preservar a paz da Venezuela e a tranquilidade da nossa pátria, com absoluta responsabilidade histórica. Não há outro caminho”, disse. Em seguida, reforçou que não se trata de uma ameaça individual: “Não é que a presidenta interina tenha medo, porque está ameaçada. Não, não: a Venezuela está ameaçada, toda a Venezuela está ameaçada”.
Apesar do tom crítico em relação a Washington, Delcy não descartou uma visita aos Estados Unidos. “Se algum dia eu tiver, como presidenta interina, que ir a Washington, o farei de pé, caminhando, não arrastada”, afirmou.
A presidenta interina também anunciou a proposta para a criação de dois fundos soberanos derivados dos ingressos petrolíferos: um voltado à proteção social e outro para infraestrutura e serviços públicos.
Ao tratar da comercialização do petróleo, a presidenta interina destacou que o país tem direito de manter relações energéticas amplas, e que a cooperação com os EUA não seria uma novidade. “A Venezuela tem direito a relações com China, com Rússia, com Cuba, com Irã, com todos os povos do mundo, e com os Estados Unidos também, fazendo isso de maneira respeitosa”.
Caracas registra nova marcha
A capital venezuelana voltou a registrar manifestações em defesa da libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores. A marcha foi realizada, nesta quinta-feira (15), por professores.
O ministro da Educação, Héctor Rodríguez, que esteve presente no protesto, afirmou que o país atravessa “momentos duros” desde o bombardeio e declarou que, além de residências e instalações militares, foram atingidos também espaços acadêmicos, como centros de pesquisa e universidades.
Segundo ele, apesar da indignação e da tristeza provocadas pelos ataques, os docentes retornaram às escolas para dar início à segunda etapa do ano letivo.
“Tivemos que nos levantar, ainda sem superar essas raivas e esses medos, porque temos um fim maior: atender nossas crianças e adolescentes. Contem com os professores da Venezuela para acompanhá-los nessas horas difíceis”, declarou.
Rússia denuncia ilegalidade do sequestro de Maduro
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, afirmou que o sequestro de Nicolás Maduro constitui uma violação flagrante da legislação internacional e da soberania venezuelana.
Segundo Zajárova, qualquer decisão judicial tomada contra Maduro nos Estados Unidos carece de legitimidade por ter origem em uma captura militar ilegal. “Qualquer decisão judicial seria igualmente ilegal, a menos que um tribunal estadunidense se recorde do direito internacional e ordene sua libertação”, afirmou.
Ela também ressaltou que Nicolás Maduro não pode ser considerado como destituído do cargo e, por tanto, teria direito a imunidade. “De acordo com as normas do direito internacional reconhecidas por todos, Nicolás Maduro, como chefe de Estado, goza de imunidade absoluta perante a jurisdição dos Estados Unidos e de qualquer outro Estado.”
