O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em Rio Grande (RS) na próxima terça-feira (20), às 11h, para a assinatura dos contratos de 1.276 unidades habitacionais no Empreendimento Junção. O ato simboliza a retomada da política habitacional federal e a formalização do direito à moradia para famílias beneficiárias do programa Minha Casa Minha Vida – Entidades (MCMV-E).
Localizado no município de Rio Grande, o Empreendimento Junção é um complexo de grande porte, composto por 1.120 apartamentos e 156 casas térreas. O projeto destaca-se por ser o segundo maior do país na modalidade MCMV-Entidades, sendo executado com recursos federais por cinco cooperativas habitacionais vinculadas ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), em área cedida pela União. O MNLM, que completou 35 anos em 2025, teve participação direta na organização das famílias e na construção das moradias.
Histórico de resistência e desafios
Segundo o movimento, a trajetória do empreendimento reflete as mudanças políticas recentes do Brasil. A obra foi a última autorizada no âmbito do Minha Casa Minha Vida antes do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Desde então, o projeto enfrentou um período de paralisia e adversidades devido ao desmonte da Política Nacional de Habitação de Interesse Social nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Durante esse intervalo, o programa original chegou a ser extinto, deixando as famílias sem uma política pública federal que garantisse o acesso à casa própria.
“Os beneficiários foram severamente atingidos pela pandemia da covid-19 e por eventos climáticos extremos, como enchentes que impactaram suas moradias provisórias e agravaram a vulnerabilidade social e a insegurança econômica do grupo”, reflete o MNLM.
Retomada e referência nacional
A viabilização final do Empreendimento Junção é atribuída à persistência da mobilização dos movimentos sociais e à mudança na gestão federal após a eleição de 2022. “Com o retorno de Lula à presidência, o programa Minha Casa Minha Vida foi reestabelecido, permitindo novos investimentos e a conclusão das obras.”
Pela sua dimensão e modelo de gestão por cooperativas, o projeto Junção é considerado hoje uma referência para a política habitacional brasileira, consolidando-se como uma vitória histórica dos movimentos populares na luta pela moradia digna.
Fortalecimento do Polo Naval
Lula também deve anunciar na visita um novo contrato entre o Estaleiro Rio Grande e a Transpetro para a construção de pelo menos nove navios gaseiros. Em novembro, a empresa rio-grandina Ecovix, operadora do Estaleiro, venceu o edital da Transpetro para a construção das embarcações.
Essa é a segunda vinda do presidente à cidade em menos de um ano. Em fevereiro de 2024, Lula assinou o contrato que viabilizou a construção de quatro navios da classe Handy no Estaleiro Rio Grande. O investimento total foi estimado em US$ 278 milhões. Até o momento, esses navios ainda não começaram a ser construídos. A previsão da Ecovix é de que as contratações no estaleiro iniciem no mês de março.
