É BOM?

Após mais de 25 anos, acordo UE-Mercosul é assinado no Paraguai

Assinatura não garante implementação da proposta, que será votada no Parlamento Europeu e nos congressos do Mercosul

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Lula recebeu a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro
Lula não participará da cerimônia; na sexta (16), ele recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no RJ | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Foi assinado neste sábado (17) Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, proposta de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas. A cerimônia aconteceu em Assunção, no Paraguai.

Nos últimos dias, o avanço das negociações rumo à aprovação da proposta gerou uma onda de protestos liderada por agricultores na França e questionamentos sobre as desvantagens do acordo para os países do Mercosul.

Além do presidente anfitrião, Santiago Peña, participaram do evento Yamandú Orsi, do Uruguai, e o presidente argentino, Javier Milei. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defensor do tratado, não participou da cerimônia de assinatura, que começou às 12h (mesmo horário de Brasília), no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

No entanto, Peña afirmou, durante a cerimônia, que o acordo não teria sido possível sem o trabalho de Lula. “Sem ele, esse acordo não seria possível”, disse o presidente paraguaio.

Em seu discurso, Ursula von der Leyen, presidenta da Comissão Europeia, alfinetou a política externa de Trump sem citar o nome do presidente estadunidense. “Buscamos um comércio justo no lugar de tarifas”.

Mauro Vieira também destacou a importância da parceria entre Mercosul e UE no atual momento. “O acordo representa um baluarte erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção”, pontuou.

Na sexta-feira (16), Lula esteve em reunião com von der Leyen, no Rio de Janeiro. Na ocasião, falaram sobre o acordo. Após o encontro, Lula afirmou, em declaração à imprensa, que o tratado é “muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo”.

Von der Leyen elogiou o papel do petista nas negociações. “Este é o poder da cooperação e da abertura. […] E é assim que criamos verdadeira prosperidade”.

A assinatura do documento, realizada neste sábado, não encerra o processo de implementação da proposta. Para entrar em vigor, o texto precisará ser ratificado pelos parlamentos europeus e nos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul.

Protestos

Em debate há mais de 25 anos, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia é questionado por agricultores franceses que, há mais de uma semana, realizam protestos pelo país. Na última quinta-feira (15), eles fecharam as ruas de Paris, com centenas de tratores, em resistência ao acordo.

“De maneira geral, hoje, ser agricultor, na França, é um dos trabalhos mais precários. Agricultores às vezes ganham muito menos do mínimo de renda básica de subsistência”, explica a cientista política Florence Poznanski, em entrevista ao Brasil de Fato. Ela acredita que a pressão do setor foi responsável para o posicionamento do presidente da França, Emmanuel Macron, contrário ao acordo. Além dele, os líderes da Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra. A Bélgica se absteve.

Para ela, um dos riscos aos países latinos é a perpetuação dessas áreas como produtoras e exportadoras de commodities, como soja e carne bovina, no caso do Brasil; e receptora do que é descartado pela Europa.

“Essas commodities a baixos preços e a altos custos ambientais, porque causam muitos danos ambientais e sociais, chegariam no mercado europeu, destruindo ainda mais a estabilidade dos agricultores e campesinos europeus”, alerta Poznanski.

Editado por: Raquel Setz

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