Com realização da Okna Produções e tendo como contexto histórico a maior tragédia climática vivida no estado, o telefilme gaúcho Caju, Meu Amigo tem grande estreia nesta segunda-feira (19). Filmada em Porto Alegre, a obra terá destaque no Cine BBB e será atração ao público na sequência, na tradicional Tela Quente, da TV Globo, abrindo a temporada de exibição de obras regionais de ficção para todo o Brasil.
Os brothers confinados no Big Brother Brasil assistirão em primeira mão à produção, que será exibida na programação nacional logo depois do programa. Nas semanas seguintes, os espectadores vão conferir produções de outras regiões do país (formato com até 50 minutos de duração). Segundo a produtora, após esta veiculação na TV aberta, o título da trama do Rio Grande do Sul ficará disponível no catálogo da Globoplay.
A atriz porto-alegrense Vitória Strada, que integrou o elenco do reality show na edição anterior, é a protagonista do enredo de Caju, Meu Amigo. Dirigido por Bruno Carboni, o filme percorre diferentes locais da Capital, como o Centro Histórico, o bairro Sarandi, a Orla do Guaíba e as ilhas.
Na trama, um ano após a enchente, Rafaela (Vitória) não imagina uma vida longe de Pingo, o cachorrinho que adotou durante a calamidade pública. O animal, no entanto, também atende pelo nome de Caju, dado pela antiga tutora Nice (Liane Venturella), que vive em um abrigo desde que teve a casa atingida pela chuva no bairro Sarandi, em Porto Alegre.

O cão que interpreta Caju/Pingo no telefilme se chama Tofu. A produtora Aletéia Selonk conta que ele se destacou por apresentar facilidade de socialização. Saber uivar também foi um diferencial do animal, que treinou por duas semanas com um adestrador para poder fazer bonito na tela.
“Acreditamos que as nuances dos personagens e o tom da história têm potencial para encantar a audiência em todo o Brasil. A iniciativa da TV Globo de produzir em parceria com produtoras regionais é muito importante porque reconhece a diversidade de olhares espalhados pelo país ao mesmo tempo em que contribui para a construção de uma cadeia audiovisual mais sustentável, diversa e equilibrada”, avalia a produtora da Okna Produções.
Na obra, Rafaela e Nice aprendem a lidar com as diferenças e constroem uma amizade baseada na verdade e no amor. As atrizes garantem que o público da Globo vai conferir um dolorido, porém belo trabalho, com fotografia fantástica de Bruno Polidoro, retratando de forma sensível e delicada, por meio das relações, uma catástrofe ambiental e social.
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Diretor do telefilme Caju, Meu Amigo, Bruno Carboni ─ que também assina a montagem, ao lado de Jonatas Rubert ─ conta que a produtora Aletéia Selonk o convidou para assumir a função de construir a história a partir do argumento de Janaína Fischer (o roteiro está creditado como Okna Produções). “Sei que ela gostou do modo como eu retratei a cidade em O Acidente (seu longa anterior, de 2022), e já me conhece há bastante tempo”.
Selonk, por sua vez, esclarece que também foi convidada para o projeto, recebendo da Globo e RBS TV uma demanda, tanto de formato de filme, quanto de abordagem criativa: “Era uma ficção que tivesse como um dos elementos personagens de Porto Alegre que tivessem vivenciado as enchentes. Nem preciso te dizer o quanto foi bastante estimulante para mim, como produtora que sou. Faz parte do meu trabalho justamente isso de pensar que núcleo criativo a gente compõe para cada projeto”.
A realizadora lembra que foi professora de Carboni, além de trabalharem juntos em produções em que ele foi montador: “Vi toda a evolução da trajetória pessoal, de formação profissional. Na direção, o meu convite foi no sentido de identificar no trabalho dele as potencialidades que eu estava buscando, de formas interessantes de mostrar a cidade, uma habilidade de contar as histórias com profundidade nos personagens, mas ainda assim com uma agilidade, pelo fato de ser um diretor montador. Aos meus olhos, ele me pareceu ter esse talento, um elemento promissor e ao mesmo tempo muito consistente pelas duas aptidões e dedicações que ele tem”.
Para seguir na temática do enredo, Selonk utiliza a palavra “faro” para justificar a aposta em um telefilme que se propunha a ter 100% de talentos gaúchos: “Dar oportunidade também para que esses talentos possam se apresentar e ocupar esses espaços especiais. A partir da Janaína Fischer no argumento e do Bruno Carboni na direção, ocorreu o desdobramento de quem seriam os demais nomes criativos e da equipe técnica que iriam nos acompanhar. A equipe toda foi uma delícia”.
Carboni concorda que a janela de visibilidade desse Cine BBB para a Tela Quente traz um destaque muito maior. O diretor relata que recebeu os caminhos pautados desejados dentro de uma diretriz, “tratando sobre a enchente, mas deixaram a construção da história com a gente”.
A experiente atriz Liane Venturella, que acompanhou essas gerações todas do audiovisual gaúcho nas últimas décadas, também se derrete nos elogios aos profissionais da equipe, destacando ainda, por exemplo, a direção de arte por Martino Piccinini: “É bonito ver o Rio Grande do Sul, os artistas daqui, dentro de um espaço nobre da televisão brasileira”.
Além dos nomes já citados, outros créditos que merecem destaque são Tiago Bello no Desenho de Som e Mixagem, Marcos Lopes como técnico de som e a trilha sonora audiovisual de Renan Franzen.

No entanto, Liane Venturella ainda não tinha atuado em um telefilme, foi a primeira vez: “Para mim, foi como participar de um longa de cinema, porque foi intenso, mas uma equipe maravilhosa”. Como a atriz recebe muitos chamados para preparação de elenco, essa foi sua atuação na atração gaúcha anterior integrante desse projeto da Globo de títulos regionais (Família em Construção, 2025, dirigido por Daniel De Bem e coprodução da Vulcana Cinema).
Arte para não cair no esquecimento
“A história de Caju, Meu Amigo é a história de uma mulher que estava com a sua mãe, cuidava dela e nisso acontece a grande enchente. A mãe dela tem um cachorrinho que está sempre junto com ela, que ajuda e a estimula a estar viva. Esse cachorro se perde quando as duas têm que abandonar a casa rapidamente dentro de um bote. Essa mulher perde a mãe, fica num abrigo, o abrigo já está quase fechando depois de um ano e ela ainda segue procurando o bichinho”, narra a atriz sobre a sua personagem.
Venturella ainda fala sobre a mensagem da obra: “Isso é bonito de falar, porque foi um movimento que mostrou o melhor de nós, a nossa parte mais humana. Diferente da pandemia, agora na enchente, todo mundo tem que sair de casa para fazer algo pelo outro, algo por si e pelos outros. Então foi um movimento de pessoas acolhendo pessoas, resgatando, ajudando, criando albergues improvisados, dando colchão, dando tudo que tinham. A gente se ajudou muito. E foram criados esses abrigos também para os pets, que ficaram para trás, no meio da correria, de toda a loucurada”.
A artista conclui, sobre o registro audiovisual: “Eu acho tão importante as pequenas histórias e as pequenas tragédias, como as que aconteceram aqui, não caírem no esquecimento. Nem que seja um pano de fundo, mas que as nossas perdas sejam lembradas através da arte, porque isso é uma das formas de curar também. Importante ainda é a gente ter a consciência de que tudo pode acontecer de novo, porque nada efetivamente foi feito para que isso não aconteça novamente”.
