Triste recorde

Escalada do conservadorismo explica aumento dos feminicídios, diz integrante da Marcha das Mulheres

Para Maria Fernanda Marcelino, muito pouco tem sido feito no país para mudar esse cenário

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De janeiro a junho de 2025, o Brasil teve uma média de 4 feminicídios por dia, além de 187 estupros e 405 denúncias de violência contra a mulher diariamente.
Protesto no Rio de Janeiro lembra mulheres vítimas de feminicídio | Crédito: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Dados divulgados nesta semana pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública mostraram que o número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025. Foram 1.470 casos contabilizados – superando os 1.464 do ano anterior.

Os números podem ser ainda piores, pois as secretarias de segurança dos estados de São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Paraíba ainda não incluíram os dados relativos ao mês de dezembro no sistema do Ministério da Justiça. Em entrevista para o Conexão BdF, a militante Maria Fernanda Marcelino, integrante da Marcha das Mulheres, apontou o avanço do conservadorismo como a explicação para esse crescimento, que não é percebido só no Brasil.

“A gente vê a escalada do conservadorismo no mundo e isso explica, também, o aumento da violência e do feminicídio, da crueldade contra as mulheres”, diz. “A origem da violência é um sistema que mantém as mulheres de inferioridade política, social, cultural, e que leva essa ideia de que nossas vidas não nos pertencem: que pertencem aos homens e eles podem descartá-las”.

Para a especialista, muito pouco tem sido feito no país para mudar esse cenário. Ela citou, por exemplo, o corte de investimentos no estado de São Paulo, governado pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas. O orçamento para 2026 prevê queda de 54,4% nos investimentos na Secretaria de Política para a Mulher, na comparação com o ano anterior.

Conforme mostrou o Brasil de Fato, o número de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em SP saltou de 57 mil em 2022 para mais de 96 mil em 2025 (um aumento de 67%). Enquanto isso, apenas 18 das 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) atendem 24 horas, representando 12,68% do total.

“O que tem sido feito não é suficiente. As políticas que são criadas são insuficientes, porque não atacam a causa: atacam o efeito. E o efeito é a violência”, resumiu a integrante da Marcha das Mulheres.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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