O futebol brasileiro perdeu, nesta semana, um de seus ícones. Morreu aos 77 anos o gremista Volmar Santos, fundador da Coligay, que entrou para a história do futebol brasileiro e foi reconhecida como a primeira torcida LGBT+ do Brasil, ainda na década de 1970.
Após sua morte, na segunda-feira (19), ele teve o legado reconhecido pelo próprio Grêmio e também por integrantes de torcidas LGBT+ de outros clubes que, independente da rivalidade, reconheceram o legado de Volmar.
Fundador do coletivo Canarinhos LGBT, que reúne torcidas e movimentos ligados a diversos clubes brasileiros, Onã Rudá, torcedor do Bahia, disse que se inspirou em Volmar e na Coligay e na Orgulho Colorado, da torcida do Internacional, posteriormente rebatizada de Orgulho Vermelho.
“Cada clube é um mundo e vive sua dinâmica própria. Quando a Coligay surgiu, existia uma série de outros experimentos no Brasil, de torcidas, de movimentos, de pessoas que se organizaram em torno do futebol, mas não existia articulação entre essas pessoas”, lembrou Rudá, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O legado de Volmar Santos segue vivo nas ações do coletivo Canarinhos. Fundado em 2019, o grupo se articulou e conseguiu avanços, como medidas de combate à homofobia nos estádios, em contato com a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Depois que a gente começou a se organizar conjuntamente, trocar ideias, começaram a surgir muitos coletivos pelo Brasil, e a gente entendeu que tinha que dar o próximo passo, que era começar a cobrar dos órgãos esportivos medidas concretas que pudessem incidir na nossa permanência no futebol e na punição para atos que aconteciam constantemente e nada era feito”, destacou.
O diálogo com as diretorias de clubes e com representantes das federações estaduais ainda é difícil. Entretanto, o o coletivo Canarinhos LGBT segue firme e pressionando para garantia de segurança das pessoas LGBT+ apaixonadas por futebol.
“São quase seis anos de construção e caminhada, e a gente conseguiu muita coisa: cobrando, conseguindo telefones dos dirigentes, falando com eles, encontrando publicamente, fazendo o que a gente chama de ‘constrangimento social’: ‘E aí, vamos continuar convivendo com esse tipo de crime sem que nada seja feito pela estrutura do futebol?'”, pontuou.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h.
