Revitalização Rural

China divulga balanço das políticas rurais com avanços em tecnologia e combate à pobreza

Safra recorde, 300 mil drones agrícolas e transição do combate à pobreza marcam balanço de políticas para o campo

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Camponeses da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, 17 de junho de 2025
Camponeses da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, 17 de junho de 2025 | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

O governo chinês apresentou nesta quinta-feira (22) o balanço das políticas rurais implementadas em 2025 e as diretrizes para o período 2026-2030, destacando a consolidação da segurança alimentar, o avanço da incorporação tecnológica na agropecuária e a transição do combate à pobreza de uma campanha emergencial para um sistema permanente de assistência.

Em coletiva organizada pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado, autoridades do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais detalharam conquistas que incluem safra recorde de grãos e expansão da mecanização agrícola para 76,7% das operações de cultivo.

Zhang Xingwang, vice-ministro do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, sintetizou os resultados como parte da implementação da estratégia de Revitalização Rural, iniciada em 2018 e central no 14º Plano Quinquenal (2021-2025). “Em 2026, focaremos em seis áreas-chave para garantir uma implementação completa das políticas para a agricultura, áreas rurais e agricultores, priorizando a produção estável de grãos, a consolidação dos resultados no combate à pobreza, a inovação científica e tecnológica, o crescimento da renda rural, a construção de aldeias habitáveis e o avanço nas reformas rurais”, afirmou.

Aumento da produção

A produção de grãos em 2025 foi de 1,4298 trilhão de jin (o equivalente a 743 milhões de toneladas), o que significou um aumento de cerca de 9 milhões de toneladas, em relação ao ano anterior, atingindo um recorde. Segundo Zhang, a produção se mantém estável acima de 1,4 trilhão de jin há dois anos consecutivos, consolidando a autossuficiência alimentar do país. “O delicado equilíbrio entre produção e demanda de grãos permanece inalterado, e a demanda continuará a crescer”, disse o vice-ministro, ao defender a necessidade de intensificar a capacidade produtiva.

No setor pecuário, dados do Departamento Nacional de Estatísticas indicam que a produção de carne suína, bovina, ovina e de aves totalizou 100,72 milhões de toneladas, representando um crescimento de 4,2% em relação a 2024.

Chen Bangxun, diretor do Departamento de Planejamento de Desenvolvimento do ministério, relatou que medidas de apoio implementadas ao longo de 2025 reverteram dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas. A pecuária de corte manteve lucratividade por nove meses consecutivos desde abril, enquanto a situação de prejuízo na pecuária leiteira diminuiu pelo mesmo período. As políticas incluíram fortalecimento do financiamento, redução de custos via integração de tecnologias práticas, estabelecimento de sistema de “lista branca” para empresas de laticínios junto a bancos, subsídios de juros e promoção do consumo de produtos lácteos para estudantes.

Para 2026, Zhang Xingwang anunciou “uma nova rodada de ações para aumentar a capacidade de produção de grãos em 100 bilhões de jin” (50 milhões de toneladas), apoiada na intensificação do princípio de “armazenamento de grãos na terra e por meio de tecnologia”. Isso inclui construção de terras agrícolas de alto padrão, proteção de terras aráveis, seleção e promoção de variedades de alto rendimento e fortalecimento da pesquisa em máquinas e equipamentos agrícolas inteligentes.

Da erradicação à assistência regular: a nova fase no combate à pobreza

O ano de 2025 marca o encerramento do período de transição de cinco anos após a declaração de erradicação da pobreza extrema em 2020. Chen Bangxun explicou que a China ingressa agora em uma fase de “assistência regular”: a transformação do combate à pobreza de uma campanha extraordinária para um sistema permanente integrado à estratégia de Revitalização Rural.

“Até o final de 2025, mais de 7 milhões de pessoas sob monitoramento foram identificadas e receberam assistência, e o risco de recaída na pobreza foi progressivamente eliminado”, informou Zhang Xingwang, referindo-se a período do 14º Plano Quinquenal que se encerra agora. O sistema de monitoramento identifica famílias em risco de retorno à pobreza com base em indicadores de renda, acesso a serviços e vulnerabilidades específicas, permitindo intervenção antes que a situação se agrave.

Durante o período de transição, o Estado identificou 160 municípios-chave para receber apoio concentrado na revitalização rural. Han Wenxiu, diretor do Escritório Central do Grupo Líder de Trabalho Rural, havia explicado anteriormente em resposta ao Brasil de Fato recentemente que governos central e provinciais assumem responsabilidades escalonadas para “desenvolver indústrias que enriqueçam a população, melhorar infraestrutura e serviços públicos rurais, e consolidar as bases para evitar o retorno à pobreza”.

Chen Bangxun detalhou que, em 2026, o ministério estabelecerá “um mecanismo regular de monitoramento unificado, padronizado, preciso e dinamicamente ajustado para fornecer apoio prioritário àqueles em risco, alcançando detecção, intervenção e assistência precoces”. A gestão da população originalmente cadastrada como em situação de pobreza será feita de forma estratificada, com assistência direcionada àqueles que necessitam de apoio contínuo. “Vamos garantir firmemente o objetivo final de evitar a recaída em larga escala na pobreza”, afirmou.

Tecnologia e novas forças produtivas rurais

A incorporação de tecnologias avançadas ao setor rural ganhou destaque no balanço como parte do desenvolvimento das “forças produtivas rurais de nova qualidade”, uma prioridade estabelecida pelo Documento Central nº 1 de 2025, diretriz anual para políticas rurais. O conceito aplica ao campo a estratégia mais ampla de modernização tecnológica promovida pelo governo chinês desde 2023, enfatizando inovação, automação e sustentabilidade.

Zhou Yunlong, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, informou que a taxa de mecanização nas fases de cultivo, plantio e colheita alcançou 76,7% em 2025. O número de drones agrícolas ultrapassou 300 mil unidades, com área de operação anual superior a 460 milhões de mu (o equivalente a 30,7 milhões de hectares). “Continuaremos a promover a aplicação da inteligência artificial e outras tecnologias no setor agrícola, expandindo os cenários de aplicação de drones, Internet das Coisas e robôs, tornando a produção mais precisa e eficiente”, afirmou Zhou.

Para 2026, o ministério planeja “promover vigorosamente a pesquisa científica organizada e a resolução sistemática de problemas, acelerar os avanços em áreas-chave como a indústria de sementes, máquinas e equipamentos agrícolas e agricultura inteligente“.

Zhang Xingwang enfatizou que o objetivo é “alcançar um alto nível de autossuficiência em ciência e tecnologia agrícolas” por meio da integração profunda entre inovação científica e inovação industrial, desenvolvendo “forças produtivas agrícolas de nova qualidade de acordo com as condições locais”. Isso inclui o fortalecimento da pesquisa em máquinas e equipamentos inteligentes adequados para áreas montanhosas e de relevo acidentado, desafio técnico relevante considerando a geografia diversificada das regiões rurais chinesas.

Renda rural e desenvolvimento integrado

A renda disponível (ou seja, após impostos e transferências governamentais, efetivamente disponível para consumo e/ou poupança) per capita dos residentes rurais atingiu 24.456 yuans (R$ 18,6 mil) em 2025, tendo crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Para sustentar esse crescimento, o ministério enfatizou o desenvolvimento de indústrias rurais que enriqueçam a população.

Zhang Xingwang destacou a necessidade de fortalecer a indústria de processamento, cultivo de empresas líderes, coordenação do processamento primário e profundo, solução de deficiências em armazenagem e logística da cadeia de frio, e explorar o valor diversificado das áreas rurais promovendo a integração entre agricultura, cultura e turismo. Isso pode incluir desenvolver pousadas rurais, vendas por live streaming, e atividades de imersão cultural (como artesanato tradicional, festivais e turismo de experiência).

A construção de vilas “habitáveis, funcionais e bonitas” constitui outro pilar das políticas para 2026. Zhang explicou que o trabalho se concentrará em três áreas: tornar vilas “habitáveis” via melhoria da infraestrutura e serviços públicos; torná-las “adequadas para a indústria” via desenvolvimento de indústrias características baseadas em recursos locais; e torná-las “harmoniosas e belas” via aprimoramento da governança rural e promoção de costumes civilizados.

“Focaremos nas necessidades e preocupações urgentes dos agricultores, orientando as áreas locais a determinarem racionalmente metas e tarefas de construção com base em suas condições reais, organizando cientificamente as prioridades e cronogramas, e promovendo a revitalização rural de forma categorizada, ordenada e regionalizada”, afirmou Zhang.

Editado por: Nathallia Fonseca

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