A tensão entre a Colômbia e o Equador se agravou depois que o governo de Daniel Noboa anunciou a imposição de uma tarifa de 30% sobre produtos colombianos. Em um primeiro momento, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu prontamente e anunciou a suspensão do fornecimento de energia elétrica para o território equatoriano nesta quinta-feira (22), durante um evento oficial em Leticia, capital do departamento amazônico que faz fronteira com o Brasil e o Peru.
Nesta sexta-feira (23), em uma tentativa de reduzir as tensões, a Colômbia propôs uma reunião bilateral na fronteira para o próximo domingo (25), segundo o Uol. O governo do Equador aceitou a proposta, mas não na data sugerida por Bogotá, indicou a ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, segundo informações do Uol.
“O Equador fez uma contraproposta de datas, para a próxima semana, para poder manter diálogos”, disse Sommerfeld em declarações divulgadas pelo canal nacional TC.
O embate entre os dois países inicialmente girava em torno de críticas sobre a eficácia no combate ao crime organizado, mas escalou e agora compromete setores vitais da infraestrutura regional, como o petrolífero e o elétrico.
Escalada da tensão
A crise diplomática que virou guerra comercial entre os dois países alcançou níveis extremos na quinta-feira. Após o anúncio de tarifaço de Noboa sobre a Colômbia, Petro anunciou tarifas recíprocas e declarou: “Nós lhes fornecemos energia quando precisavam. Agora que não precisam mais, estão apenas competindo para ver quem consegue ser o melhor amigo do mais barulhento, mas eu não gosto de gritar”, referindo-se ao fato de que a Colômbia apoiou o Equador durante uma crise energética que gerou apagões prolongados devido à seca.
A decisão de interromper as Transações Internacionais de Energia Elétrica foi formalizada pelo Ministério de Minas e Energia da Colômbia como uma estratégia preventiva para assegurar o abastecimento interno diante das ameaças climáticas impostas pelo fenômeno El Niño.
“Uma ação preventiva para salvaguardar a soberania e o abastecimento nacionais, em um contexto de alta variabilidade climática e alertas para um possível novo fenômeno El Niño ”, disse o órgão em nota.
A vulnerabilidade energética do Equador, que depende majoritariamente de hidrelétricas, coloca o país em uma posição de risco elevado. A matriz energética do país depende em 85% de fontes hidrelétricas, enfrenta um déficit projetado de 1.100 megawatts até 2026 , segundo a Operadora Nacional de Eletricidade (Cenace).
Em entrevista ao Sputnik, o especialista Milton Pérez advertiu que a nação “perderia muito” com o fim das importações colombianas, o que poderia desencadear uma nova onda de racionamento de energia.
O analista destacou que a crise equatoriana é estrutural, agravada pela estrutura ultrapassada das usinas térmicas e pela demora na execução de novos projetos de geração.
No campo da segurança pública, a tensão escalou após Quito questionar a Colômbia sobre o controle do tráfico de drogas em suas fronteiras. Petro rebateu as críticas por meio de suas redes sociais, argumentando que a pressão das autoridades colombianas contra o crime é justamente o que empurra os grupos ilícitos para fora de seu território.
O líder colombiano afirmou que “se os narcotraficantes estivessem satisfeitos na Colômbia, não estariam migrando em massa para o Equador”, reforçando que a solução para o avanço dos cartéis exige uma cooperação tecnológica e binacional, em vez de isolamento.
Como contra-ataque econômico, a ministra equatoriana do Meio Ambiente e Energia, Inés Manzano, confirmou que haverá reajustes no custo do transporte do petróleo bruto colombiano através do Oleoduto de Petróleo Pesado.
Petro mantém o discurso de que a Colômbia não deseja exportar seus problemas internos, reiterando que “a Colômbia não busca transferir o problema do narcotráfico para outros países, mas sim enfrentá-lo em conjunto”.
