O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve reafirmar nesta quarta-feira (28), em audiência no Senado, que a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá ter o mesmo destino do presidente sequestrado Nicolás Maduro, caso não coopere com Washington.
Segundo trecho antecipado de seu depoimento, Rubio declarará que a presidenta interina “conhece muito bem o destino de Maduro” e que os EUA estão “preparados para usar a força para assegurar a máxima cooperação se outros métodos fracassarem”.
O depoimento, que ocorre após pressão de democratas pelo esclarecimento das ações estadunidenses na Venezuela, se dá em meio a uma semana de embates entre as lideranças de ambos países.
No domingo (25), em discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, Rodríguez afirmou estar “farta” das ordens de Washington.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, discursou.
No dia seguinte, Rodríguez enviou um recado direto ao secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Ela classificou as declarações de Bessent como ofensivas e pouco pertinentes, e rejeitou a possibilidade de tutela externa sobre o país. “A Venezuela tem governo, que obedece unicamente ao povo”, disse.
O secretário do Tesouro havia dito que os EUA “estão dirigindo a política” do país caribenho e que membros do governo venezuelano permaneceriam em seus cargos para administrar o país. Segundo ele, Washington também “administrará a venda de petróleo e outros recursos” e convocará “eleições livres e justas” quando considerar que seja o momento adequado.
De acordo com uma reportagem da agência Reuters, relatórios de inteligência dos Estados Unidos levantaram dúvidas sobre a disposição de Delcy Rodríguez em levar adiante o rompimento de relações com países considerados adversários de Washington, o que faz parte da estratégia do governo Trump para o país latino-americano.
Autoridades estadunidenses esperam que a presidenta interina encerre vínculos com aliados como Irã, China e Rússia. Porém, Delcy Rodríguez não deu indicativos de que pretende romper laços com os aliados históricos de Caracas. Na cerimônia de posse como presidenta interina, por exemplo, Delcy Rodríguez contou com a presença de representantes dessas nações.
Questionado por jornalistas sobre as declarações de Rodríguez, Trump afirmou desconhecer o episódio. “Bem, eu não sei exatamente o que está acontecendo lá, mas não ouvi nada disso”, disse o presidente. Em seguida, minimizou os atritos e declarou que os dois países têm “um ótimo relacionamento”.
Na terça-feira (27), a presidenta interina afirmou que foram estabelecidas relações de respeito com Washington. “Eu reafirmo o que disse o presidente Donald Trump. Estabelecemos canais de comunicação de respeito e de cortesia, tanto com o presidente dos Estados Unidos como com o secretário Marco Rubio, com quem estamos estabelecendo uma agenda de trabalho”, declarou.
No mesmo pronunciamento, Rodríguez anunciou o desbloqueio de recursos para a compra de equipamentos hospitalares, de eletricidade e para a indústria de gás, parte deles adquiridos nos Estados Unidos.
