O Brasil de Fato e a Fundação Rosa Luxemburgo lançaram, nesta segunda-feira (2), o edital da microbolsa de jornalismo “Combate à agenda antidemocrática”. A iniciativa vai selecionar cinco propostas de pauta de reportagens que abordem experiências progressistas de enfrentamento ao autoritarismo e ao conservadorismo, com foco no fortalecimento da democracia, da organização social e da defesa de direitos.
“Vivemos um tempo em que a desinformação e projetos autoritários disputam o sentido da realidade por meio da construção de narrativas. É papel do Brasil de Fato, assim como de tantos outros veículos independentes, fortalecer um jornalismo contra-hegemônico, comprometido com as lutas da classe trabalhadora e com a democracia. A parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, por meio da microbolsa, reconhece que o jornalismo tem um papel político fundamental de produzir informação crítica, bem apurada e enraizada na vida concreta da população”, afirma Nina Fideles, diretora do Brasil de Fato.
Cada jornalista selecionada/o receberá uma microbolsa no valor de R$ 5 mil para a produção de uma reportagem em texto. As reportagens contarão com orientação e acompanhamento editorial do Brasil de Fato e serão publicadas no site e nas redes sociais do veículo.
Quem pode participar
O edital é voltado a jornalistas profissionais brasileiras e brasileiros e residentes no Brasil, que tenham acesso à internet e aos equipamentos necessários para a produção das reportagens, além de disponibilidade para participar de reuniões de acompanhamento editorial. Não podem participar profissionais que tenham qualquer vínculo de trabalho com o Brasil de Fato ou com a Fundação Rosa Luxemburgo.
O programa incentiva a participação de mulheres e de pessoas negras, indígenas e LGBT+. Das cinco microbolsas oferecidas, duas são destinadas exclusivamente a pessoas negras, indígenas e LGBT+, enquanto as outras três serão preenchidas por ampla concorrência.
Temas das reportagens
As propostas de pauta devem dialogar com o avanço da extrema direita e suas ameaças à democracia, aos direitos humanos e à diversidade. O edital destaca a importância de narrativas críticas e propositivas que deem visibilidade a experiências de organização popular e comunitária que enfrentem a agenda antidemocrática no cotidiano.
Nesse sentido, entre os temas sugeridos para as pautas estão: iniciativas de organização de trabalhadores da economia popular, experiências de enfrentamento ao fundamentalismo e ao racismo religioso, políticas públicas e ações sociocomunitárias em territórios periféricos, lutas de grupos sub-representados, iniciativas em segurança pública que se contraponham a estratégias punitivistas, ações de combate à desinformação e experiências de organização social em defesa de direitos.
Andreas Behn, diretor do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil, reforça a importância de reportagens que amplifiquem vozes de grupos vulnerabilizados para a qualificação do debate público em torno da agenda progressista.
“O avanço da agenda antidemocrática no Brasil não acontece por acaso — ela é construída cotidianamente por meio da desinformação, do ódio e do enfraquecimento das instituições. Apoiar o jornalismo independente é uma estratégia central para enfrentar esse processo. Com a microbolsa ‘Combate à agenda antidemocrática’, queremos fortalecer reportagens comprometidas com a democracia, os direitos humanos e a amplificação de vozes historicamente silenciadas, contribuindo para um debate público mais qualificado e plural”, afirma Behn.
Inscrições
As inscrições estão abertas até o dia 22 de fevereiro de 2026, às 23h59 (horário de Brasília), e devem ser feitas exclusivamente por meio de formulário online, disponível neste link. As pessoas interessadas devem enviar proposta de pauta conforme o modelo indicado no edital e anexar registro profissional de jornalista (MTb) e currículo profissional detalhado.
O resultado da seleção será divulgado até o dia 6 de março.
Mais informações na página de inscrições da microbolsa: https://bolsajornalismo.brasildefato.com.br/microbolsa-jornalismo-combate-a-agenda-antidemocratica
