Caribe

Conservadora Laura Fernández é eleita presidente da Costa Rica

Ela sucede o ultradireitista Rodrigo Chaves, de quem é considerada herdeira política

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Costa Rica's presidential candidate of the Sovereign People party, Laura Fernandez, speaks during her closing campaign in San Jose on January 29, 2026. Costa Rica will hold a presidential election on February 1, 2026. (Photo by Marvin RECINOS / AFP)
Laura Fernandez Delgado discursa durante campanha no dia 29 de janeiro | Crédito: Marvin RECINOS / AFP

A conservadora Laura Fernández venceu a eleição geral da Costa Rica, neste domingo (1º), e será a nova presidente do país caribenho. Ela sucede o ultradireitista Rodrigo Chaves, de quem é considerada herdeira política, e tomará posse em 8 de maio.

Com 94% da apuração concluída, a candidata eleita estava com 48,3% dos votos, segundo os resultados preliminares do Tribunal Supremo de Eleições (TSE), percentual acima dos 40% necessários para levar o pleito a um segundo turno.

O economista Álvaro Ramos registrou cerca de um terço dos votos e a arquiteta e ex-primeira-dama Claudia Dobles menos de 5%. O Partido do Povo Soberano, de Fernández, também deve conquistar a maioria no Congresso, com 30 das 57 cadeiras, frente às oito atuais. 

Com um discurso confrontador contra as “castas da política tradicional”, estratégia herdada do presidente em fim de mandato Rodrigo Chaves, a recém-eleita concentrou a campanha em propostas sobre a continuidade dos cortes estatais, com enfoque neoliberal na economia e uma agenda punitiva na área de segurança.

Fernández foi chefe de gabinete de Chaves e reforçou, já durante seu discurso de vitória, que pretende dar continuidade às políticas de segurança adotadas durante o atual governo, além de incluí-lo na nova administração. Pela legislação da Costa Rica, Chaves não poderia disputar a reeleição antes de completar oito anos fora do cargo.

A nova presidente também declarou que promoverá mudanças e que o país entrará em um novo ciclo político. “A mudança será profunda e irreversível. Cabe a nós construirmos a terceira república”, disse aos seus apoiadores.

Fernández afirmou que buscará “lutar incansavelmente” para garantir que a Costa Rica “continue no caminho do crescimento econômico, da liberdade e, acima de tudo, do progresso do nosso povo”. Por fim, o discurso de vitória reforçou que o governo irá respeitar a Constituição, diante de receios de mudanças sobre regras sobre mandatos presidenciais.

Entre as suas promessas de campanha, também está o combate ao “aumento da criminalidade associado ao tráfico de cocaína”, em meio a disputas entre cartéis mexicanos e colombianos e disse ter como inspiração a estratégia adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que promoveu prisões em massa para reduzir os índices de criminalidade. Bukele é acusado de perseguições e diversas violações aos direitos humanos.

Ela prometeu, ainda, concluir a construção de uma prisão de segurança máxima inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo, criado por Bukele, e afirmou que pretende endurecer as penas de prisão e decretar estado de emergência nas regiões com maiores índices de criminalidade.

Fernández se tornará a segunda mulher a governar o país centro-americano, depois de Laura Chinchilla, eleita presidente em 2010.

Editado por: Nathallia Fonseca

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