A Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para apurar suspeitas de fraudes no Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, a instituição financeira fez uma proposta para comprar o Banco Master em março de 2025 e já passava por uma investigação para checar uma suposta gestão fraudulenta.
Em resposta, o BRB afirmou ter entregue um relatório em 29 de janeiro à PF e, nesta segunda (2), ao Banco Central. Ainda de acordo com o banco, as investigações correm em sigilo. O banco reforçou ter encontrado “achados relevantes” que foram entregues à corporação.
“Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB”, diz a nota.
As investigações que apuram as fraudes no Banco Master respingaram no BRB depois que o banco brasiliense gastou R$ 12 bilhões para comprar carteiras de crédito vendidas pelo Master. Elas, no entanto, não eram do banco de Daniel Vorcaro e não tinham garantias. As investigações indicam que o prejuízo do BRB pode chegar a R$ 5 bilhões.
O banco disse também em nota que está “estável financeiramente” e disse que espera receber um aporte do governo do Distrito Federal para “cobrir os prejuízos”. O balanço do BRB será apresentado em março e incluirá o impacto das negociações feitas com o Master.
O BRB tentou comprar uma parcela do Master em março de 2025 e teve apoio do governo do Distrito Federal. A compra, no entanto, foi barrada pelo Banco Central. A operação da PF e do Ministério Público deflagrada em novembro para investigar o banco de Vorcaro chegou ao BRB e o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, foi afastado e demitido.
O próprio banco abriu uma auditoria independente interna para investigar transações, mas ainda não chegou a nenhuma conclusão.
O BRB foi o maior comprador de ativos do Master entre 2024 e 2025, mesmo após alertas de risco e sinais claros de que o banco privado enfrentava sérios problemas de liquidez. De acordo com o sistema IF.data do Banco Central, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, um crescimento de R$ 20 bilhões em apenas 12 meses.
Deste total, ao menos R$ 12,2 bilhões são decorrentes de operações com o Banco Master. Ou seja, mais de 20% da carteira foi atrelada a papéis do banco que viria a quebrar. Trata-se de uma exposição que, segundo especialistas, compromete a solidez da instituição.
