A deputada estadual Verônica Lima (PT) entregou na noite desta quarta-feira (4), a medalha Tiradentes à Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, durante o último ensaio da agremiação antes do Carnaval. “O samba sempre contou a história do Brasil que nasce nas periferias, nos terreiros e nas fábricas”, disse a deputada ao Brasil de Fato.
A medalha é a maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2026, a escola homenageia o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, assinado pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.
O samba-enredo percorre a trajetória de Lula desde o nascimento no agreste pernambucano, passando pela migração para o sudeste, o enfrentamento das desigualdades sociais, o período da ditadura militar, a luta sindical e a construção de sua liderança política, que marcou a história do Brasil.
Ataques
Após o ensaio técnico realizado na Sapucaí na sexta-feira (30), a Escola foi alvo de uma série de questionamentos por homenagear a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ano de eleição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a Procuradoria Geral da República (PGR) por propaganda antecipada.
A senadora também entrou com uma ação popular na Justiça Federal do Distrito Federal com o pedido para a suspensão do desfile. No entanto, a ação foi negada pelo juiz Francisco Valle Brum, da 21ª Vara Federal do Distrito Federal, por entender que o caso não é de responsabilidade da Justiça Federal. Outra ação que teve pedido de liminar negado foi movida pelo vereador de Niterói Allan Lura (PL). Além da suspensão do desfile, Lura pede a devolução do dinheiro repassado para a escola. O juiz Alberto Republicano deu prazo de 15 dias para a escola e a prefeitura explicarem a destinação de recursos. Em nota, a prefeitura esclarece que repassou os mesmos R$ 4 milhões para as duas agremiações da cidade: Viradouro e Acadêmicos de Niterói.
Já parlamentares do Partido Novo fizeram uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) para barrar os repasses da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) à agremiação por entenderem que se trata da promoção indevida de uma autoridade pública em enredo carnavalesco.
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Ao Brasil de Fato, o TCU informou que “não houve qualquer recomendação ou determinação até o momento” sobre suspensão de repasse a agremiação de Niterói. A nota acrescenta que o relator do processo é o ministro Aroldo Cedraz, que não divulgou partes do processo e que não há previsão de julgamento do caso. Segundo o jornal O Globo, o auditor do TCU Gregório da Silva Faria teria recomendado a suspensão do repasse.
A Embratur explicou em nota que o contrato realizado pela Agência com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) prevê um repasse total de R$ 12 milhões, o que significa R$ 1 milhão para cada escola. “O Carnaval é uma das maiores vitrines culturais e turísticas do Brasil para o mundo, com transmissão global para milhões de espectadores em mais de 160 países. É uma expressão cultural que fortalece a imagem do Brasil como destino criativo, diverso, inclusivo e vibrante, impulsionando o fluxo turístico durante e após a festa. Só no Rio de Janeiro, o carnaval deve movimentar mais de R$ 5,7 bilhões”, diz um trecho da nota. A Liesa informou, também em nota, que já fez os repasses às escolas e que não recebeu qualquer notificação oficial sobre o caso.
