O Carnaval de Belo Horizonte terá mais de 600 blocos nas ruas da capital mineira este ano. Desde o início de sua retomada, a principal bandeira levantada por quem faz a folia é a ocupação democrática do espaço público. O movimento cultural, que começou com a Praia da Estação, foi um dos responsáveis pelo reavivamento do baixo centro, região que abriga atualmente uma rica vida noturna ao longo de todo o ano.
“Quando falamos de Carnaval no Brasil, estamos falando de uma festa que é disputada historicamente. Como defende Lélia Gonzales, é fundamental [re]conhecer que as principais constribuições para o carnaval brasileiro são das camadas populares e dos ‘segmentos negros urbanos que, pressentindo as possibilidades de ritualização oferecidas pelo Carnaval, foram ocupando esse espaço de festa com seus ritmos, seus cantos e suas danças’” explicaram, em entrevista ao Brasil de Fato MG, Tainá de Oliveira Babeto e Rafael Gregório Malaquias, idealizadores do bloco Transborda e membros da Liga dos Blocos de Rua e de Luta de Belo Horizonte (Liga Bruta-BH).
É com esse caráter de luta que, muito além da delimitação da avenida do Contorno, o Carnaval de BH se espalha, hoje, por todas as regionais da cidade. A descentralização é um reforço da essência popular e acessível da festa. O Brasil de Fato MG preparou uma lista com alguns blocos para você curtir em cada canto da cidade.
Barreiro
Uma das regiões mais populosas da capital, o Barreiro não fica de fora da folia. Para quem procura um agito pré-carnaval e é fã de sertanejo, no dia 8 de fevereiro, às 14h, o cortejo do bloco Pensa em mim acontece na rua Antônio Teixeira Dias, no bairro Teixeira Dias. Este ano, o bloco homenageia o Trio Parada Dura, grupo musical nascido na década de 70, nessa região da capital mineira.
Já no final de semana oficial do Carnaval, o bloco Samba de Catarina ocupa a avenida Sinfrônio Brochado, no domingo (15), às 13h. No dia seguinte, tem Não acredito que te beijei, às 10h30. O bloco traz um repertório eclético que vai da MPB ao pagode, passando por marchinhas de Carnaval e axé, na avenida Deputado Álvaro Antônio, no Bairro das Indústrias I.
Para fechar, na terça-feira tem o bloco Esperando o Metrô, que desde 2018 vai às ruas lutando pela chegada, com qualidade, do metrô até o Barreiro. São ainda um bloco afro que combate o racismo, o machismo e a homofobia, além de toda e qualquer forma de preconceito. Este ano a concentração é na rua Barão de Coromandel.
Leste
A regional leste também está cheia de atrações para curtir o Carnaval. No próximo sábado (7), o bloco Andacunfé presta homenagem, em mais um ano, às canções, lirismo, pensamentos e atitudes de Gilberto Gil. O cortejo será na rua Oligisto, no Santa Tereza, às 8 h. Ao meio-dia, o bairro Santa Inês terá o bloco Matilda Fugiu, formado por diversos instrumentos de sopro, como trompetes, trombones e saxofones, além de uma ala de percussão. A concentração é na Praça Cajuri e resgata o repertório de marchinhas, frevos e ranchos.
Durante o Carnaval em si, dá para aproveitar o dia inteiro só ficando na rua Mármore, no tradicional bairro boêmio Santa Tereza. No sábado tem Divina Banda (10h), Bloco do Torresmo (11h) e Bloco Nada Santa (13h). No domingo, o folião acompanha o Bloco de Pífanos de BH (8h), o Românticos São Loucos (10h), o Inocentes de Santa Tereza (12h) e o Bloco da Saúde (14h). Já na segunda, tem Meninos do Morro (9h), Mindinho Bateria Mirim (11h) e Bloco da Cinara (13h). E terça-feira tem Bloco do Odilara (9h) e Maria Baderna (12h).
No Pompéia, o Lavô, Tá Novo! traz a música nacional bagaceira dos anos 80 aos 2000, para a avenida dos Andradas, no sábado (17), às 14h. Já o bloco MineiraSystem, que homenageia o grupo BaianaSystem e é de protagonismo feminino, saí no sábado seguinte ao Carnaval (21), na Rua do Furquim.
Nordeste
Mudando a regional e o ritmo, para quem curte música eletrônica, principalmente techno, um bloco de porte médio e com protagonismo LGBT é o Masterplano, que sai no dia 14, às 13h. O cortejo é na rua Camilo Prates, bairro União.
Para quem quer algo mais tranquilo, o Pena de Pavão de Krishna, já muito tradicional no Carnaval belo-horizontino, sai no domingo (15), às 8h. O bloco espiritualista reverência divindades de diversas culturas e seu cortejo é na rua João das Chagas, no bairro União.
Para a segunda-feira de Carnaval (16), quem vai curtir na regional nordeste pode comparecer ao bloco Filho de Afonjá, que, ao meio-dia, leva muito da cultura afro-brasileira para a rua Antônio Gentil, no Concórdia. Ou então comparecer ao bloco da Tropa do Serrão, que no ano passado arrastou mais de 100 mil pessoas. Este ano ele saí às 15h, na rua Antônio Christiano, União.
Quando o assunto são as identidades sapatão, a Truck do Desejo já é referência. O bloco saí às 8h da terça-feira de Carnaval (17), na rua Professor Amaro Xisto de Queiroz, também no bairro União. Com repertório formado majoritariamente por músicas populares brasileiras, elas tocam canções compostas ou que se tornaram conhecidas nas vozes de mulheres lésbicas ou bissexuais. Nesse mesmo dia, o bloco Açaí Guardiã celebra a vasta e brilhante obra de Djavan, saindo na rua Jiquiriçá no bairro Concórdia, às 17h30.
Noroeste
Outra regional de tradição boêmia, a Noroeste abrange bairros como Lagoinha, Bonfim, Carlos Prates e Padre Eustáquio. Por lá, no final de semana que antecede o Carnaval, já é possível curtir blocos pequenos, como o tradicional e eclético bloco do Chifrudo, às 9h, na rua Progresso, no Padre Eustáquio, e o bloco do Saraiva, que ocupa com samba a rua Atalaia, no Caiçaras, às 14h, ambos no sábado (7).
No domingo (8), tem o 24º desfile do bloco do Pão Molhado, na rua Valença, bairro Carlos Prates, às 10h30. Ou ainda, em homenagem a um álbum icônico da música brasileira, O Grande Encontro, o bloco Alceu Dispor faz seu cortejo no mesmo horário, no bairro Bonfim, na rua Além Paraíba.
Abrindo o Carnaval propriamente dito, o bloco Afro-Periférico OriSamba leva para as ruas a beleza das cores, a alegria das toadas dos tambores, e o recontar da história e cultura afro-brasileira em Belo Horizonte. O cortejo é na sexta-feira de Carnaval, às 18h, na rua Fagundes Varela, no bairro Senhor dos Passos. No sábado (14), às 16h, tem paredão de tecnobrega, piseiro e brega funk no bloco da Bôta, na rua Teófilo Otoni, no Carlos Prates. E para fechar, na quarta-feira de cinzas (18), a Pedreira Prado Lopes recebe o BaBaDan Banda de Rua, na avenida José Bonifácio, às 14h.
Norte
Já no próximo final de semana a zona Norte conta com os cortejos de alguns blocos. No sábado (7), o maior bloco de funk de Belo Horizonte, Bloco ZN, saí na via de pedestres na Praça dos Esportes, Vila Aeroporto, às 16h.
Desfilando uma bateria com mais de 100 integrantes, o bloco Almas Empenadas sai ao meio-dia de domingo (8), na rua Nilo Aparecida Pinto, do Planalto. Este ano, o bloco que arrasta mais de 10 mil foliões tem como tema Salve a Mata do Planalto, em um cortejo que une música brasileira, consciência ambiental e participação popular.
Fundado com o propósito de integrar a comunidade e resgatar a rica tradição cultural da região norte de Belo Horizonte, prejudicado ao longo dos anos devido ao crescimento desordenado da cidade, o Prove Primeiro faz uma alusão aos bairros Providência e Primeiro de Maio. O bloco sai no dia 13, às 17h, na rua Jacana, do bairro Providência. Já o Bloco Unidos do Parque Izidora faz, no sábado (14), um apelo à preservação desse importante espaço verde, com seu cortejo na rua Marcos Donato de Lima, Ribeiro de Abreu, às 16h.
E não poderíamos deixar de citar um pioneiro na retomada do Carnaval de BH, em 2009: o itinerante Tico Tico Serra Copo, que este ano brilha no domingo de folia (15), às 13h, na rua Euro Luis Arantes, bairro Novo Aarão Reis.
Oeste
Na zona oeste os desfiles se concentram nos dias de Carnaval, mas no próximo final de semana dá para curtir o Atenção Creuzebeck, que presta tributo a banda Mamonas Assassinas, integrando outras bandas da mesma época e estilo no repertório. O cortejo é no Calafate, na Rua Oeste, às 12h30, do sábado (7).
Para curtir com a família, principalmente com a criançada, o bloco Buritis de Guimarães Rosa, ganha a rua Henrique Badaró Portugal, no Buritis, no sábado seguinte (14), às 14h30.
Seguindo na toada de homenagens, no dia 15, às 15h, honrando a memória da cantora Marília Mendonça, falecida em 2021, o bloco Quem eu quero não me quer festeja na rua Senador Lima Guimarães, no bairro Estoril.
E falando em grandes cantoras da música brasileira, a Pimentinha é quem dá nome ao Elis Bar, que por sua vez, junto com o Bar Ideal, fundou o bloco Elis Ideal. Mesclando o axé dos anos 90 com releituras de clássicos de Elis Regina, a folia do bloco acontece na terça (17), às 13h, na rua Eli Seabra Filho. Para fechar, no mesmo dia, às 14h, o bloco Tá mole mas é meu toma o Nova Gameleira, na rua Dom Oscar Romero.
Pampulha
Do outro lado da cidade, na região da Pampulha, também tem homenagem ao cantor Djavan, neste domingo (8), com todo mundo na rua vestido de lilás. O bloco Eu Te Devoro sai às 13h, na avenida dos Engenheiros, no bairro Castelo.
Para os amantes de forró, este domingo também tem fervo, com o bloco Chic Xique Forrozeiros, que sai na rua Versília, do bairro Bandeirantes, às 14h30.
Abrindo oficialmente o Carnaval na região do Castelo e Alípio de Melo, sexta-feira (13), às 17h, tem Ô Doral, pega no meu braço!, na rua Leonil Prata, no Alípio de Melo. No sábado (14), a avenida Antônio Abrahão Caram recebe o Uai cê samba, às 10h. E no Castelo tem a junção dos blocos Minas com Bahia e Baianidade Belô que trazem uma mistura dos dois estados e culturas para a avenida dos Engenheiros, às 17h.
Uma das grandes expectativas deste Carnaval, o Bloco Marinada sai pela primeira vez, puxado pela cantora Marina Sena. O desfile será também na avenida Antônio Abrahão Caram, às 13h, de domingo (15).
Venda Nova
Por fim, na região de Venda Nova também tem festa! O bloco carnavalesco As Virgens do Formigueiro Quente, que tem os mesmos organizadores da quadrilha de mesmo nome, vai para a rua neste domingo de pré-carnaval (8), com bateria composta de ritmistas de todas as idades. O cortejo é na rua Izalina Faustina Silveira, no Mantiqueira, às 14h.
Dia 14 tem o bloco Anjos do Céu, que retoma a tradição do antigo bloco das Bandidas, com sua bateria Tempestade Ritmada, formada por 50 integrantes. O bloco sai às 17h30, na rua Antônio Giarola, no Céu Azul.
Para quem procura mais tranquilidade, também no sábado (14), às 8h, tem o bloco do Silêncio, um bloco acústico para levar a família, na rua Cesar Salles Barbosa, Mantiqueira.
No domingo de Carnaval (15), o CarnaVovó, bloco de carnaval de rua que celebra a alegria, a amizade e o espírito leve do Carnaval de Belo Horizonte, se encontra no Recanto Vovó Tela, na rua Tenente Marino Freire, bairro Maria Helena. A concentração começa às 15h. Tem também o bloco Vejo Flores em Você, que toca samba, baião, afoxé, xaxado e funk, na rua Jorge Antônio Nassar, bairro Letícia, às 15h.
Serviço
Para saber os detalhes desses e de outras centenas de blocos que tomam BH na folia é só acessar a Programação do Carnaval de BH.
