Entre os mais de três milhões de páginas divulgadas recentemente sobre o caso Jeffrey Epstein, figura o depoimento de uma fonte do FBI que afirma que o financista condenado por pedofilia e que se suicidou na prisão em 2019 espionaria para Israel.
A identidade do informante foi preservada no documento oficial divulgado como parte das investigações sobre a rede de tráfico sexual que pertenceria a Epstein.
A fonte do FBI, a agência de inteligência interna dos EUA, afirmou que o advogado de longa data de Epstein, Alan Dershowitz, disse ao então procurador dos EUA para o Distrito Sul da Flórida, Alex Acosta, que Epstein “pertencia tanto aos serviços de inteligência dos EUA quanto aos de seus aliados”.
O informante alegou ainda que Epstein tinha uma relação pessoal próxima com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak e afirmou que ele havia sido “treinado como espião sob sua tutela”. A fonte do FBI atribui ainda ao advogado a declaração de que “se ele [Epstein] fosse jovem novamente estaria portando uma arma como agente do Mossad”.
Chantagem
Os documentos reforçam a ideia de que Epstein beneficiaria a inteligência israelense ao facilitar a exploração sexual por parte de políticos importantes. Ele atrairia esses integrantes da elite para situações comprometedoras a fim de obter, por meio de chantagens, favores ou silêncio.
Em novembro, já havia sido revelado que havia uma proximidade alarmante entre o financista e Yoni Koren, importante ex-assessor de Defesa de Israel que teria se hospedado nas residências de Epstein. Segundo as investigações, isso possibilitou a coordenação de reuniões confidenciais com a diretoria da CIA e o governo estadunidense, além de intermediar projetos de cibersegurança.
Evidências financeiras também apontam transferências bancárias suspeitas e entregas de cartões magnéticos entre Epstein e figuras do alto escalão militar de Israel. O conteúdo indica que o abusador sexual operava como um intermediário de influência e espionagem internacional para beneficiar autoridades estrangeiras.
Já havia indícios de que Epstein teria intermediado acordos de segurança de Israel com Mongólia, Rússia e Costa do Marfim.
Envolvimento de Trump
Mesmo que não enfrente acusações formais relacionadas ao caso, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi citado nos documentos recém-divulgados. Veio a tona, por exemplo, que o magnata foi acusado de abusar sexualmente de uma adolescente de 13 ou 14 anos.
Segundo a denúncia, Trump teria forçado a menina a praticar sexo oral há cerca de 30 anos. O caso teria acontecido no estado de Nova Jersey, segundo denúncia feita por uma amiga da suposta vítima. A menor teria reagido à violência, mordendo o pênis do presidente.
Analistas afirmam que a ligação entre os dois, que inclui fotografias e troca de bilhetes, tem potencial tóxico para as pretensões eleitorais de Trump. O escândalo repercute particularmente mal entre a base eleitoral republicana, tradicionalmente conservadora.
