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Trump quer agir ‘a partir de intervenções militares’ na América Latina, avalia analista internacional

Atitude de tímido recuo de Petro após encontro com presidente dos Estados Unidos indica essa dinâmica

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Os presidentes de Colômbia, Gustavo Petro, e Estados Unidos, Donald Trump
Os presidentes de Colômbia, Gustavo Petro, e Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: AFP PHOTO / COLOMBIAN PRESIDENCY

Na última terça-feira (3), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou em suas redes sociais uma fotografia tirada ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos). O registro foi feito durante a reunião entre os dois, realizada a portas fechadas.

Menos uma expressão de cordialidade e mais uma decisão calcada em estratégia política, o gesto do colombiano é um indicativo de que “a América Latina está sequestrada pelos desejos do Trump”, conforme avalia a analista internacional Amanda Harumy.

“Nós não sabemos o que é que aconteceu mesmo nessa reunião. Sabemos a versão do Petro e a versão do Trump”, destaca Harumy, em entrevista ao Conexão BdF 2ª edição, da Rádio Brasil de Fato.

“Qual a sensação que eu tenho? A sensação de que a gente está num filme norte-americano. Temos o Maduro sequestrado, que causa essa tensão na América Latina. É como se o Trump dissesse: ‘Olha, esse é o ritmo, é a partir daqui que eu vou me relacionar, a partir de intervenções militares’”.

A proximidade das eleições presidenciais na Colômbia, realizadas em maio de 2026, é um fator de pressão nas decisões de Petro, que, em diversos momentos, já se posicionou de maneira enfática contrariamente a Trump.

Neste momento, de pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela, aumenta o risco sobre a Colômbia, exigindo de Petro medidas estratégicas, ainda que contrariem seus posicionamentos político-ideológicos. “O Trump quer ter cada vez mais condições de sufocar o poder político na Venezuela. O território colombiano, as bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, uma certa elite de extrema direita alinhada ao Trump também pode ser um dos atores que auxilie a pressionar a Venezuela”, diz a analista.

Disputa de narrativas

Um mês após o sequestro do presidente da Venezuela, Harumy alerta para a disputa de narrativas, principalmente por parte da mídia, que “não consegue explicar a complexidade” sobre a situação do país vizinho.

“Ontem [terça-feira], tiveram marchas enormes em diversas cidades, não só em Caracas, com muitas lideranças políticas que representam o que foi o chavismo e também o apoio ao governo do Maduro e da Delcy”, diz. Ela lembra que Maduro conta com apoiadores no país, que foram às ruas em sua defesa.

Nesse cenário complexo, as mensagens reducionistas podem, muitas vezes, servir à intenção dos Estados Unidos.

“O Trump quer demarcar muito que quem toma decisões na Venezuela são os Estados Unidos. Nós precisamos denunciar e estar muito atentos que o que acontece na Venezuela hoje é fruto de um sequestro, é fruto de uma política externa norte-americana que coloca de fato uma arma, um poder militar contra a presidenta [interina] Delcy e a partir de então pressiona essas aberturas políticas”, alerta a analista.

Ela chama a atenção para as nuances do atual cenário político venezuelano. “A gente não pode dizer nem que a Delcy tem total controle e poder sobre a Venezuela e nem mesmo que os Estados Unidos detém esse poder”, finaliza.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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