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Cidade Jardim leva à avenida enredo que exalta a força histórica e política das mulheres

Escola de samba de BH aposta em desfile que une homenagem, denúncia e esperança

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Escola de samba propõe desfile com uma leitura poética e crítica sobre o feminino | Crédito: Divulgação/Qu4rto Studio/Acervo Belotur

A Escola de Samba Cidade Jardim, de Belo Horizonte, escolheu o feminino como eixo central de seu desfile neste Carnaval. Com o enredo “Mulher: a força que move o tempo”, a agremiação leva para a avenida uma narrativa que exalta o papel histórico, social e simbólico das mulheres na construção da humanidade, destacando sua atuação como agentes de transformação, resistência e continuidade ao longo das gerações.

O desfile propõe uma leitura poética e crítica sobre o feminino, valorizando as múltiplas identidades das mulheres: mães, trabalhadoras, lideranças, artistas e guardiãs da memória coletiva. Ao dialogar com diferentes épocas e culturas, a Cidade Jardim evidencia como a força feminina sempre esteve presente nos grandes movimentos da história, ainda que, muitas vezes, tenha sido invisibilizada.

Segundo a madrinha da escola, Andréa Macedo, a construção do samba-enredo partiu de uma base coletiva e comprometida com reflexão social. 

“Um dos primeiros textos que serviram de base para a construção do samba-enredo teve a colaboração de um dos colunistas do Brasil de Fato MG, o professor Luciano Mendes”, explica. Docente da UFMG e autor do livro Entre Mulheres, Luciano foi convidado para colaborar na elaboração da sinopse. 

“Escrevemos as primeiras ideias que culminaram no samba-enredo e no trabalho belíssimo carnavalesco”, completa Andréa.

Mais do que uma homenagem, o enredo assume um caráter político. “É uma homenagem às mulheres de todas as cores, etnias, territórios e gêneros. Mulheres de todas as profissões, de sucesso, empreendedoras, mas também aquelas invisibilizadas”, afirma a madrinha. 

A narrativa também aborda as violências e desigualdades enfrentadas cotidianamente. “Falamos de mulheres que são silenciadas e mortas por serem mulheres. É um desfile de protesto, de denúncia e de resistência, mas também épico, lindo, colorido e, sobretudo, de esperança”, destaca.

Ao conectar tradições ancestrais às lutas contemporâneas por direitos, igualdade e reconhecimento, a Cidade Jardim reforça que falar do tempo é, inevitavelmente, falar das mulheres, responsáveis por manter vivas histórias, afetos e transformações sociais. Nesse sentido, o samba reafirma o Carnaval como espaço de expressão cultural e também de consciência política.

Os preparativos seguem intensos. “Estamos preparando um desfile lindo, com muito carinho e cuidado. Muito brilho, cores e sons, e claro, samba no pé”, adianta Andréa Macedo. A escola aposta em grandiosos carros alegóricos e esculturas imponentes, marcas já consolidadas da Cidade Jardim.

De acordo com as informações da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), os desfiles das escolas de samba de BH acontecem nos dias 16 e 17 de fevereiro, na Avenida dos Andradas, a partir de 14h.

Confira abaixo a ordem das apresentações das escolas para o Concurso de 2026:

Grupo Especial

1 – Mocidade Verde e Rosa

2 – Acadêmicos de Venda Nova

3 – Imperavi de Ouros

4 – Estrela do Vale

5 – Canto da Alvorada

6 – Imperatriz de Venda Nova

7 – Cidade Jardim

8 – Triunfo Barroco

Grupo de Acesso

1 – Raio de Sol

2 – Unidos da Zona Leste

3 – Unidos dos Guaranys

4 – Mocidade Independente Bem-te-vi

5 – Mocidade Independente da Pampulha

Editado por: Elis Almeida

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