O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o tema do fim da escala seis por um, que diminui a jornada de trabalho no país, deve ser debatido no Congresso Nacional, “porque reflete o pensamento da sociedade brasileira”.
A declaração foi feita depois que o presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, questionar o que o dirigente petista pensa sobre o tema, durante o almoço empresarial do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), promovido por João Doria, nesta segunda-feira (9). No total, cerca de 400 empresários estiveram presentes no evento, que ocorreu no Hotel W, na região da Faria Lima, em São Paulo.
Solucci questionou se, com o fim da escala seis por um, haverá oferta suficiente de trabalhadores para atender os consumidores. “O consumidor de baixa renda sabe que será o mais afetado? Os restaurantes daqui dessa região, por exemplo, terão condições de procurar mão de obra que falta no Brasil? Pegaremos nas regiões mais pobres? A sociedade está ciente e concordando com isso? Se perdemos competitividade na indústria, estamos dispostos a enfrentar quedas de índices? Esse é um assunto muito grave”, questionou Solmucci.
Além de defender que o tema deve ser debatido pelos parlamentares, Edinho Silva afirmou que o assunto precisa ser discutido à luz das mudanças tecnológicas. “O aumento da nossa capacidade produtiva vem com a diminuição da força de trabalho. Tem duas formas de distribuir renda na economia: a transferência direta de renda ou salário. Vamos ter que debater tudo isso”, respondeu o dirigente petista.
Segundo Edinho Silva, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deixou de ser apenas uma pauta local e passou a integrar um debate global, impulsionado pelo avanço tecnológico. “A redução do tempo de trabalho é um tema mundial hoje pelo avanço da tecnologia”, afirmou. Para ele, o aumento da produtividade com menor uso de força de trabalho impõe um desafio central às economias contemporâneas, que é pensar “como será o mercado de trabalho do século 21” e de que forma a produção será organizada nesse novo contexto.
Edinho avalia que, sem medidas de compensação, a combinação entre alta produtividade e menor absorção de trabalhadores tende a aprofundar a crise de consumo. “Aumenta a produtividade e não tem capacidade de consumo, não tem massa de riqueza para a capacidade de consumo que se impõe pela mudança tecnológica”, disse. Nesse cenário, defendeu políticas que conciliem crescimento econômico, emprego e distribuição de renda.
Durante o evento, Edinho Silva também falou sobre a necessidade de o país ter “maturidade política” e superar a polarização para passar pelo processo eleitoral de 2026 de maneira satisfatória.
“Nós temos que pensar o momento que estamos vivendo, o papel do país nesse processo de reorganização internacional, para construir uma agenda do Brasil. Uma agenda que enfrentasse a nossa condição de exportador de terras raras. O Brasil precisa fazer parcerias e desenvolver tecnologias”, disse sob aplausos dos empresários.
Como um ponto central para as eleições, Edinho também apontou o enfraquecimento da democracia representativa em escala global, perceptível no aumento da abstenção eleitoral em diferentes países, além do crescimento de posições antissistêmicas. Para o dirigente nacional do PT, o que ocorre no Brasil é reflexo desse quadro internacional. Segundo ele, há uma cristalização de posições e um sentimento de insatisfação que alimenta a polarização e impede a evolução da sociedade.
De acordo com Edinho, esse ambiente deve marcar as eleições de 2026, com descrédito em relação à democracia representativa. Ao comentar o governo do presidente Lula, afirmou que, independentemente de concordâncias ou discordâncias, há fatos objetivos. “O presidente Lula restabelece as políticas públicas, cria um ambiente de estabilização política e institucional no país”, disse, ao citar a retomada do PAC. Para ele, “gostem mais ou gostem menos do governo Lula, é inegável o que está sendo feito”.
