LEGADOS

Conheça os homenageados do Carnaval 2026 em Pernambuco, Recife e Olinda

Do manguebeat ao piseiro, figuras célebres no estado e nas principais cidades da folia formam um plural mosaico cultural

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Chico Science, Lenine e Maestro Lessa são alguns dos homenageados
Chico Science, Lenine e Maestro Lessa são alguns dos homenageados | Crédito: Divulgação

Em 2026, é amplo o leque de homenageados no Carnaval, seja no estado, ou nas principais cidades da folia, como Olinda e Recife. São nomes que vão do manguebeat ao piseiro, passando pelos temperos de ancestralidade e guardiões do frevo. Neste ano, os celebrados em vida e os já encantados formam um mosaico que atravessa mais de um século de diferentes manifestações culturais, espalhadas do Sertão ao litoral. 

O Governo de Pernambuco escolheu três nomes neste ano. Nena Queiroga, a rainha do carnaval do Recife, Chico Science e seu lendário legado para a música brasileira e pernambucana, e o jovemJoão Gomes, que vem encantando o país com seu piseiro ligado às tradições da cultura vaqueira nordestina. 

A capital pernambucana também vem com três nomes. O primeiro é o clube carnavalesco Madeira do Rosarinho, que se torna centenário neste 2026, um símbolo no imaginário de resistência cultural de Pernambuco. Quem também é celebrado é o músico e compositor Lenine, responsável por levar um tempero pernambucano para a MPB contemporânea das últimas décadas. Da gastronomia e luta pela preservação dos saberes e fazeres afrodiaspóricos, vem Carmen Vírginia, reforçando a dimensão espiritual e negra da festa. 

Já Olinda vem com dois homenageados, escolhidos por votação popular. O primeiro é Eraldo Gomes, ligado às artes plásticas, artesanato, patrimônio, além de ser fundador de troças importantes, como o Menino da Tarde e o John Travolta. O segundo é o Maestro Lessa, falecido em 2025, um dos grandes guardiões da experiência do frevo nas ruas. O município também concede dois títulos de reconhecimento batizados de História Viva, celebrando Aurinha do Coco e Ernane Lopes. 

PERNAMBUCO

Nena Queiroga – Considerada uma “rainha do carnaval”, a cantora vem de uma família com um histórico tradicional no rádio e na música. Começou a cantar ainda criança e na adolescência já animava bailes de carnaval pelo Recife. Com o passar dos anos, passou a ser reconhecida como uma das principais vozes da festa de Momo, com mais de duas décadas puxando importantes trios no Galo da Madrugada e comandando emblemáticas apresentações no ciclo carnavalesco.

Chico Science – Um dos maiores nomes da história da música brasileira e pernambucana é homenageado no ano em que completaria 60 anos de idade. Nascido em Peixinhos, na periferia de Olinda, Francisco de Assis França foi uma das principais cabeças na articulação do movimento Manguebeat, que trouxe sons do mundo para a cultura popular pernambucana e levou Pernambuco para o mundo. O Malungo partiu em 1997, vítima de um acidente automobilístico, deixando um legado que ecoa até hoje na música do país. 

João Gomes – Com 23 anos, o mais jovem entre os homenageados vem do interior do estado, de Serrita, levando o forró e o piseiro sob fortes influências da cultura vaqueira nordestina para todo o país. Seu mais recente projeto, o Dominguinho, feito ao lado de Jota.Pê e Mestrinho, vem tendo uma grande recepção de público e crítica. Dono de sucessos estrondosos e de um Grammy Latino, o pernambucano fura a bolha do piseiro e passa a acessar diferentes contextos da música contemporânea do Brasil. 

RECIFE

Madeira do Rosarinho 


Completando 100 anos em 2026, o Madeira do Rosarinho carrega uma história que se confunde com a própria trajetória do Carnaval do Recife. Fundado em 1926, o bloco se tornou símbolo de resistência, alegria e pertencimento, imortalizado pelo hino “Madeira que Cupim não Rói”, composto por Capiba e entoado por gerações de foliões. Mais do que uma agremiação, o Madeira representa a persistência de uma cultura construída coletivamente, que transforma disputas, afetos e memórias em canto, estandarte e desfile. 

Lenine

Outro nome celebrado é Lenine, artista cuja obra dialoga diretamente com o Recife, se tornando um dos principais nomes da MPB contemporânea. Nascido e criado no bairro da Boa Vista, ele construiu uma carreira de reconhecimento nacional e internacional, sem jamais se afastar das referências culturais pernambucanas. No Carnaval, Lenine é presença recorrente e afetiva, levando aos palcos canções que exaltam Pernambuco – seus versos de Leão do Norte são entoados durante todo o ano -, além da cidade, com suas contradições e belezas. 

Carmen Virgínia

A lista de homenageados se completa com Carmen Virgínia, referência na preservação dos saberes afro-brasileiros no Recife. Iabassê do Afoxé Ogbon Obá e à frente do Altar Cozinha Ancestral, ela transformou a gastronomia em instrumento de memória, fé e inclusão social. Idealizadora do Ubuntu, celebração que antecede a abertura oficial do Carnaval e reúne afoxés em um grande ritual de bênção e agradecimento, Carmen Virgínia reforça a dimensão espiritual da festa e a centralidade da cultura negra na construção do Carnaval recifense. 

OLINDA

Homenageados

Eraldo Gomes 

Agente cultural multifacetado, Eraldo construiu sua história entre o Carnaval, o artesanato e as artes plásticas, sempre com forte atuação na defesa do patrimônio material e imaterial de Olinda. Oriundo de uma família profundamente ligada às manifestações populares da cidade, participou da fundação da Troça Carnavalesca Menino da Tarde e criou a Troça Carnavalesca Mista John Travolta, conhecida pela irreverência e pela valorização do frevo. Paralelamente, desenvolve um reconhecido trabalho no entalhe em madeira, levando a arte popular olindense a exposições no Brasil e no exterior

Maestro Lessa (em memória)

Referência do frevo de rua tradicional, Lessa dedicou décadas à música carnavalesca como regente e formador. Fundador da Orquestra do Maestro Lessa, comandou grupos ligados a blocos históricos do Carnaval pernambucano, contribuindo diretamente para a preservação do frevo. Falecido em julho de 2025, aos 89 anos, deixou um legado que segue vivo por meio de sua orquestra e de gerações de músicos formados sob sua batuta.

Título História Viva 2026

Dona Aurinha do Coco (em memória)

Mestra e guardiã da expressão popular do coco, transmitiu saberes por meio da dança, do canto e da oralidade. Falecida em 2022, permanece como símbolo de resistência cultural e referência das tradições pernambucanas.

Ernane Lopes

Reconhecido como o carnavalesco mais antigo ainda em atividade em Olinda. Fundador do boneco gigante Menino da Tarde, soma sete décadas dedicadas ao Carnaval e segue inspirando novas gerações na manutenção da identidade festiva da cidade.

Editado por: Rostand Tiago

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