Desfile das Campeãs

‘Tem muita terra sem gente e muita gente sem terra’: MST celebra reforma agrária no desfile das campeãs

Dirigente do movimento destaca: ‘mostramos que a reforma agrária dá certo e alimenta a cidade’

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Acadêmicos do Tatuapé homenageou o MST no desfile de 2026
Acadêmicos do Tatuapé homenageou o MST no desfile de 2026

O Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, foi palco neste Carnaval de um desfile que transcendeu a folia. A Acadêmicos do Tatuapé, que conquistou o quarto lugar e garantiu vaga no desfile das campeãs, levou para a avenida o enredo “Tem muita terra sem gente e muita gente sem terra”, em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ao todo, duas toneladas de alimentos produzidos em áreas do movimento foram utilizadas no desfile e posteriormente doadas à comunidade.

Em entrevista ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato, Sebastião Aranha, militante do MST e assentado da reforma agrária, avaliou a importância de levar a reforma agrária para o centro da maior festa popular do país. “A reforma agrária estava fora da pauta. Você não ouvia falar nisso há muito tempo. A comunidade do Tatuapé assumiu a tarefa de repor esse debate na festa mais importante do Brasil.”

Os alimentos que compuseram o último carro do desfile — que celebrava a colheita — vieram do assentamento Luiz de Macedo, no estado de São Paulo, onde toda a produção é agroecológica. “Além de produzir sem veneno, os companheiros ainda protegem e replantam árvores, cuidam da natureza. Essas duas toneladas foram a prova de que a reforma agrária dá certo e alimenta a cidade com comida saudável“, afirmou Aranha.

Ele relembrou uma cena marcante durante o desfile. “Eu brinquei com um funcionário da prefeitura que carregava uma caixa de melancia e disse: ‘Isso aí você vai ter que dizer que está comendo um produto da reforma agrária, plantado no assentamento do MST‘. Ele respondeu: ‘Quando eu chegar em casa, a primeira coisa que vou falar é isso’.”

Para o dirigente, o desafio agora é manter o tema em pauta após a festa. “Foi muito bonito, a comunidade inteira se envolveu. Mas precisamos trazer a reforma agrária para o debate outra vez. Em vez de só falar sobre ela, vamos falar sobre distribuição de comida, sobre alimentação saudável para crianças e idosos.”

No próximo sábado (21), a Acadêmicos do Tatuapé volta à avenida para o desfile das campeãs, reafirmando a mensagem que ecoou no Anhembi. “Vamos estar lá de novo para falar que tem muita terra sem gente e muita gente sem terra”, concluiu Aranha.

O MST também marca presença em blocos de Carnaval em diversos estados, como Pernambuco, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Pará e Paraná. “O carnaval é isso: festa, luta e ocupação. Vamos continuar.”

A luta pela terra ontem e hoje

Aranha contextualizou a histórica resistência à reforma agrária no Brasil, desde o golpe de 1964 até os dias atuais. “A reforma agrária foi ponto central para a ditadura. O tema sempre foi ideologizado, tratado como pauta de extrema-esquerda, enquanto em outros países liberais ela foi vista como oportunidade de aumentar a produção e garantir renda no campo.”

Para ele, a concentração de terras no Brasil é a raiz do problema. “Terra é poder na mão de poucos. No Pontal do Paranapanema, em São Paulo, tínhamos terra devoluta do Estado nas mãos de quem não produzia nada. Quando a gente coloca a reforma agrária em pauta, é para democratizar a terra. E isso não vale só para o MST: vale para quilombolas, para indígenas, para todos que lutam por território.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Monyse Ravena

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