Crise no país

Deputado José María Balcázar é eleito presidente interino do Peru

O parlamentar governará o país até 26 de julho, quando toma posse o vencedor das eleições presidenciais

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José María Balcázar recebe a faixa presidencial em sessão realizada no Congresso do Peru
José María Balcázar recebe a faixa presidencial em sessão realizada no Congresso do Peru | Crédito: Congresso do Peru/AFP

O Peru elegeu o deputado marxista José María Balcázar, na noite de quarta-feira (18), como presidente interino do país, depois que seu antecessor, José Jerí, foi destituído por acusações de corrupção. Ele governará o Peru até 26 de julho, quando toma posse o vencedor das eleições presidenciais programadas para 12 de abril.

De acordo com a legislação peruana, quando a presidência está vaga, o presidente do Parlamento deve assumir a responsabilidade de liderar o país. Nesta quarta, Balcázar foi eleito chefe do Congresso e, automaticamente, presidente interino do Peru. Dentre quatro candidatos, ele foi escolhido com 60 votos em uma sessão extraordinária.

O advogado Balcázar, de 83 anos, é do partido de esquerda Peru Livre. “Juro por Deus, pela pátria, pela paz, exercer fielmente o cargo de presidente da República, e assumo de acordo com a Constituição política do Peru”, disse Balcázar ao assumir interinamente a presidência.

“Nestes poucos meses que nos restam, vamos garantir ao povo do Peru que vai acontecer uma transição democrática e eleitoral pacífica, transparente, que não deixe nenhum tipo de dúvida nas eleições”, prometeu. 

Natural de Cajamarca, no norte andino do Peru, Balcázar construiu parte da carreira no sistema de Justiça e chegou à Corte Suprema.

Crise no país 

A presidência interina de Balcázar faz parte de uma sequência de crises que marcam a política do Peru desde 2016. Jerí, 39 anos e então presidente do Congresso, assumiu o comando do Executivo em outubro após a destituição de Dina Boluarte em julgamento político por suposta incapacidade de conter uma onda de extorsões e homicídios.

O Congresso, que no início o considerou apto ao cargo, decidiu afastá-lo na última terça-feira (17) sob a acusação de má conduta no exercício das funções e falta de idoneidade.

A decisão ocorreu depois que o Ministério Público abriu uma investigação por suspeita de tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses depois da divulgação de uma reunião reservada com um empresário chinês com contratos com o governo. Em fevereiro, ele passou a ser alvo de nova investigação por suposta interferência na contratação de nove mulheres para cargos no governo.

Em mensagem publicada no TikTok, Jerí afirmou que servir ao Peru foi e continuará sendo uma honra. Disse que deixa o cargo em paz e que não é possível resolver em poucos meses problemas acumulados por décadas. “Deixamos encaminhada nossa tarefa mais firme: garantir eleições limpas e transparentes e continuar fortalecendo a segurança como base de um país com ordem e futuro”, acrescentou.

Com a posse de Balcázar, o Peru chega ao oitavo presidente desde 2016, em uma sequência marcada por renúncias, afastamentos e disputas entre Executivo e Legislativo.

Desde então, passaram pelo cargo:

  • Ollanta Humala governou de 28 de julho de 2011 a 28 de julho de 2016. Foi eleito e concluiu o mandato. Depois foi preso sob acusação de corrupção.
  • Pedro Pablo Kuczynski exerceu o cargo de 28 de julho de 2016 a 23 de março de 2018. Renunciou antes da votação de um processo de impeachment.
  • Martín Vizcarra assumiu em 23 de março de 2018 e foi destituído pelo Congresso em 9 de novembro de 2020.
  • Manuel Merino, então presidente do Congresso, tomou posse em 10 de novembro de 2020 e deixou o cargo cinco dias depois em meio a protestos.
  • Francisco Sagasti assumiu em 17 de novembro de 2020 e permaneceu até 28 de julho de 2021.
  • Pedro Castillo governou de 28 de julho de 2021 a 7 de dezembro de 2022. Foi afastado após anunciar a dissolução do Congresso.
  • Dina Boluarte assumiu em 7 de dezembro de 2022 e deixou o cargo em 10 de outubro de 2025 após impeachment.
  • José Jerí ocupou a Presidência de 10 de outubro de 2025 a 17 de fevereiro de 2026. Foi afastado sob acusações de tráfico de influência.
Editado por: Geisa Marques

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