Caracas e Washington parecem haver chegado em bom termo sobre a cooperação para o combate ao crime organizado internacional. O possível acordo de cooperação acontece depois que o governo de Donald Trump acusou, sem provas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de integrar uma rede de tráfico internacional de drogas. Foi também essa uma das principais justificativas para o sequestro do presidente venezuelano e de sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores, argumento desmentido posteriormente pelos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (18), o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, General Francis L. Donovan, visitou a capital venezuelana e se reuniu com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e com os ministros da Defesa, Vladimir Padrino López, e da Justiça, Diosdado Cabello.
Segundo o ministro das Comunicações da Venezuela, Miguel Ángel Pérez Pirella, “durante a reunião, ambos os países concordaram em trabalhar na elaboração de uma agenda de cooperação bilateral para combater o tráfico ilícito de drogas em nossa região, a migração e outras questões”.
“O encontro confirma que a via diplomática deve ser o mecanismo para resolver divergências e abordar questões de interesse binacional e regional, de interesse de todas as partes”, publicou Pirella em sua conta na rede social X.
A embaixada dos Estados Unidos em Caracas confirmou o encontro e disse que as reuniões foram “produtivas”. Na mensagem, a missão diplomática reproduz um comunicado do Comando Sul, no qual afirma que “as discussões centraram-se no ambiente de segurança, nas medidas necessárias para garantir a implementação do plano de três fases do presidente Donald Trump — em particular a estabilização da Venezuela — e na importância da segurança partilhada em todo o Hemisfério Ocidental”.

| Crédito: Handout/Embaixada dos EUA na Venezuela /AFP
Após o encontro, o deputado Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, publicou um texto em sua rede social celebrando o “recuo” do governo estadunidense diante da “força do chavismo”.
“Aqueles que colocaram preço à cabeça dos principais líderes do povo, hoje se sentam com eles, em claro reconhecimento a sua liderança e fortaleza. O chavismo é a única forma política que pode garantir a paz e a estabilidade do país”, diz a mensagem publicada pelo deputado.
Delcy vai se encontrar com Petro
Também na quarta, a presidenta interina da Venezuela publicou mensagem em suas redes sociais relatando um contato telefônico com o atual mandatário da Colômbia, Gustavo Petro. Segundo Delcy Rodríguez, os dois decidiram realizar uma reunião presencial em breve. O objetivo é tratar de temas como segurança, economia e energia.
A líder venezuelana afirma que o encontro servirá para avançar em pontos fundamentais da cooperação entre as duas nações. “Hoje conversei com o presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro, e concordamos em realizar em breve uma reunião bilateral em nível de chefes de Estado para dar continuidade aos avanços em questões-chave das agendas econômica, energética e de segurança, no âmbito do fortalecimento da cooperação e das relações de respeito e trabalho conjunto entre nossos dois países”, escreveu Rodríguez. Esta será a primeira viagem internacional da presidenta interina desde a agressão militar estadunidense em 3 de janeiro.
Venezuela e a Colômbia compartilham uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros. Além de uma relação histórica entre as duas nações, há um intenso fluxo migratório entre os dois países. Nos últimos anos, cerca de um milhão de venezuelanos foram viver do outro lado da fronteira. De outro lado, cerca de 5 milhões de colombianos migraram para a Venezuela para escapar do conflito armado no país vizinho ao longo de décadas. Por isso, a retomada do diálogo entre as duas nações é vista como um passo importante para a estabilidade local.
