A cena cultural pernambucana perdeu, na última quarta-feira de cinzas (18), uma de suas vozes singulares. Aos 40 anos, morreu no Recife o artista Tiago West, conhecido por transformar versos em imagens e espalhar poesia pelas paredes, telas e redes sociais da cidade. O artista foi sepultado na quinta-feira (19), no Cemitério Memorial Guararapes, em Jaboatão. Ele deixa a mãe, três irmãos e sobrinhos, e um legado poético que seguirá ocupando a cidade e atravessando quem se deixa tocar por suas palavras.
Tiago passou mal em casa, na região central do Recife, no fim da noite. Sozinho, solicitou um carro por aplicativo para ir ao Hospital Santa Joana, no bairro das Graças. Chegou a entrar no veículo consciente, mas perdeu os sentidos pouco antes de alcançar a unidade de saúde. A equipe médica tentou reanimá-lo por cerca de 45 minutos, sem sucesso. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória.
Nascido em Salvador (BA), Tiago veio para o Recife ainda criança, aos quatro anos, e construiu com a capital pernambucana uma relação afetiva e criativa que atravessou toda a sua obra. Formado em música, encontrou na junção entre palavra escrita e artes visuais o território onde sua expressão artística floresceu. Emoldurando poemas e criando composições visuais de forte impacto, desenvolveu uma linguagem própria, direta e profundamente ligada ao cotidiano.
A partir de 2017, seus trabalhos ganharam grande circulação na internet, ampliando o diálogo com o público e consolidando sua presença como poeta urbano. Seus versos falavam de amor, política, tempo, vida e das contradições e belezas de Pernambuco, temas tratados com sensibilidade, ironia e, muitas vezes, urgência.
Ativo nas redes sociais até os últimos dias, Tiago fazia da escrita um gesto de conversa com o mundo. Em uma de suas publicações mais recentes, deixou reflexões que seguem ecoando após a despedida: “Não se engane. Vai trovejar. Ainda que sem som. E vai passar. Ainda que não passe” e também “A vida não é só o que você viu; o que sentiu, soube, supôs. Antes de você, já existia o depois.”
