Em 2025, a taxa de desemprego entre jovens foi a menor registrada da série histórica: apenas 11,4%. Ao todo, 1,6 milhão de jovens entre 18 e 24 anos estavam desempregados neste período. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (20). Antes, o instituto já havia divulgado que o desemprego geral caiu para 5,1% no Brasil no 4º trimestre de 2025. No consolidado do ano, a taxa de desocupação ficou em 5,6%, também a menor já registrada.
Esse foi o menor saldo registrado para jovens desde 2012, quando o IBGE começou a divulgar a cada três meses a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua). São levantados dados sobre o mercado de trabalho no país. A queda foi de 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, quando 12,8% dos jovens estavam desocupados.
O número geral também teve uma redução de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, quando o desemprego atingia 6,2% da população brasileira. Na faixa de 25 a 39 anos também foi registrado o menor patamar da série histórica, com apenas 4,7% de desempregados.
Além do desemprego, a ocupação também atingiu recorde histórico. Ao todo, 103 milhões de pessoas estão ocupadas no Brasil hoje. O rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros foi de R$ 3.613, o que representa uma alta de 12% em relação a 2024.
O recorte por gênero feito pelo IBGE também dá sinais positivos. Entre as mulheres, a taxa de desemprego caiu de 7,5% em 2024 para 6,2% no ano passado. Esse foi o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Para os homens, o dado também reduziu, saindo de 5,1% para 4,2%, o que também representa um recorde positivo.
Os dados levantados por raça mostram ainda um cenário de desigualdade no país. Os pretos registram a maior taxa de desocupação, com 6,1% de atingidos. Já entre os pardos, esse número é um pouco menor, 5,9%. O nível de ocupação de brancos é o mais expressivo, com 4% de desocupados.
Para manter a trajetória, mudar a política monetária
Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que o desemprego mais baixo, combinado com um maior nível de ocupação, é uma “excelente notícia” e que mostra um aumento da demanda por trabalho por parte das empresas. De acordo com ele, o aumento real dos salários é um passo importante para um país com alta desigualdade.
“Para um país com uma péssima distribuição de renda, essa é uma boa notícia. Se queremos melhorar a distribuição de renda, temos de criar as condições econômicas e políticas para uma maior participação relativa do trabalho na renda nacional. Isso só é possível com crescimento da massa salarial maior do que o crescimento da economia, ou seja, com queda relativa da participação dos rendimentos do capital no PIB [Produto Interno Bruto]”, afirma ao Brasil de Fato.
De acordo com ele, o que explica essa redução do desemprego são as políticas públicas que, apesar das taxas de juros excessivamente elevadas, vêm conseguindo sustentar um crescimento razoável do PIB.
“A combinação de aumento do gasto público, com aumento do investimento e do consumo privado – com um crescimento provável do PIB de 2,5% em 2025, produziu esse efeito. O desafio do governo é manter a mesma trajetória, o que só é possível com uma política monetária menos apertada”, concluiu.
