No sambódromo

‘Conquista coletiva’: MST celebra 4º lugar da Acadêmicos do Tatuapé no desfile das campeãs

Agremiação homenageou luta pela reforma agrária e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

No audio source provided.
Integrantes do MST celebram quarto lugar da escola Acadêmicos do Tatuapé no Carnaval de SP
Integrantes do MST celebram quarto lugar da escola Acadêmicos do Tatuapé no Carnaval de SP | Crédito: Douglas Fortes

A Acadêmicos do Tatuapé voltou ao Sambódromo do Anhembi já na madrugada deste domingo (22) para celebrar o quarto lugar do Grupo Especial das Escolas de Samba de São Paulo. A agremiação levou à avenida o debate sobre a reforma agrária e uma homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Com o samba-enredo Plantar para colher e alimentar: tem muita terra sem gente e muita gente sem terra, a escola recebeu 269.5 pontos na apuração. A escola foi vice-campeã em 2025.

Nas redes sociais, o MST celebrou a “conquista coletiva”. “O quarto lugar no Samba das Campeãs em São Paulo é conquista coletiva, é memória viva, é celebração de quem constrói cultura com o pé no chão da comunidade. A homenagem da Acadêmicos do Tatuapé ecoa como um canto de alegria e força popular, mostrando que o samba nasce do trabalho diário e da união do povo.”

No meio da avenida, a militância do movimento segurou o troféu com emoção. “[Ele] representa reconhecimento, carinho e orgulho coletivo. Carrega histórias de quem constrói junto, de quem acredita no poder da organização e da esperança.”

Para o MST, o quarto lugar deve ser celebrado “como se celebra a colheita: com alegria, com orgulho e com a certeza de que cada passo dado na avenida fortalece a comunidade, a cultura popular e o sentimento de união”.

Campeãs

A campeã do Grupo Especial foi a Mocidade Alegre. Além da vencedora, também desfilaram novamente, neste sábado (21), Gaviões da Fiel, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Barroca Zona Sul.

Participaram ainda as campeãs e vice do Grupo de Acesso 1, Acadêmicos do Tucuruvi e Pérola Negra, além da vencedora e segunda colocada do Grupo de Acesso 2, Morro da Casa Verde e X-9 Paulistana, promovidas à divisão superior.

No desfile desta madrugada, a última alegoria da Acadêmicos do Tatuapé apresentou falha ainda na concentração e não entrou na avenida. O carro foi retirado e os componentes foram reposicionados na última ala.

Desfile

Com a parceira do MST, o desfile da Acadêmicos do Tatuapé no sábado de carnaval mostrou, na prática, o resultado da divisão justa de terras, levando para a avenida duas toneladas de alimentos saudáveis produzidos pelas cooperativas do movimento de São Paulo.

Abacaxi, melancia, macaxeira, pimentão e outros produtos estavam no carro alegórico que encerrou o desfile. “Uma diversidade de produção feita pelas mãos do trabalhador sem terra”, exaltou Carla Loop, da Coordenação Nacional do Coletivo de Cultura do MST. Depois do desfile, tudo foi doado à comunidade do Tatuapé.

O desfile da agremiação contou com a participação de personalidades da política, da arte e do esporte, como a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Apoiador do MST, o ex-jogador de futebol Raí compôs o time dos destaques no carro dos homenageados. Para ele, o enredo da Tatuapé legitimou a luta do movimento pela justiça no campo. “Pra mim, representa justiça social num país tão abundante de terras, como diz a letra da música, com muita terra para poucos.”

Dentre os homenageados estavam Andresa Paiva, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Auri Junior, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf); Carol Proner, jurista; Chico Pinheiro, jornalista; Denildo Rodrigues de Moraes, o Biko, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e Sheila de Carvalho, Secretária Nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça.

30 anos na avenida

Com este desfile, o MST celebra 30 anos de história nos carnavais de sambódromos. Em 1996, a escola Império Serrano desfilou na Sapucaí, no Rio de Janeiro, com enredo “E Verás Que Um Filho Teu Não Foge à Luta”. O samba homenageava o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997), coordenador da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. Militantes do MST desfilaram em alas representando a reforma agrária.

O movimento também já esteve em desfiles das escolas Nenê de Vila Matilde e Camisa Verde e Branco, em São Paulo; e com a Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

Editado por: Monyse Ravena

|

Newsletter