A Hungria bloqueou a mais recente rodada de sanções contra a Rússia e um empréstimo de 90 bilhões de euros da UE para a Ucrânia. O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores e Comércio da Hungtria, Péter Szijjártó.
“Os ucranianos não podem nos chantagear, não podem colocar em risco a segurança do fornecimento de energia da Hungria conluiando-se com Bruxelas e a oposição húngara. [..] Não, um claro não”, disse ele após uma reunião do Conselho de Ministros das Relações Exteriores da UE.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, declarou nesta segunda-feira (23) que os países da UE continuarão a discutir a 20ª rodada de sanções contra a Rússia, mas é improvável que ela seja adotada nesta segunda-feira. “Acredito que não haverá progresso sobre esta questão hoje”, disse ela.
O novo pacote de sanções estava previsto para ser adotado no aniversário do início de quatro anos da guerra da Ucrânia, na terça-feira (24). No entanto, a Hungria anunciou que o bloquearia o novo pacote de restrições a Moscou.
O motivo foi a suspensão do trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba por parte de Kiev. Na última sexta-feira (20), a Ucrânia adiou a retomada das entregas que estavam prevista para sábado, para terça-feira.
“Até que a Ucrânia retome o trânsito de petróleo para a Hungria e a Eslováquia pelo gasoduto Druzhba, não permitiremos que decisões importantes para Kiev sejam tomadas”, declarou o ministro das Relações Exteriores húngaro nas redes sociais em 22 de fevereiro.
Em 20 de fevereiro foi noticiado que a Hungria se opôs ao empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia para a Ucrânia. O empréstimo precisa ser aprovado por todos os Estados-membros da UE.
A Hungria e a Eslováquia, que dependem fortemente dessa rota de abastecimento, recebem petróleo da Rússia pelo oleoduto Druzhba. No final de janeiro, o fornecimento de gás pelo gasoduto Druzhba foi suspenso em meio a ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana.
A Ucrânia relatou que o gasoduto foi danificado. A Hungria, por sua vez, alegou que a Ucrânia estava impedindo o fornecimento por supostos motivos políticos.
