O Irã enfatizou nesta segunda-feira (23) sua disposição de ampliar relações com países do Sahel africano, especialmente no âmbito da defesa. As declarações foram feitas pelo ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh, durante visita de seu homólogo de Burkina Faso, Célestin Simporé, na capital iraniana Teerã.
Nasirzadeh referiu-se à importância do continente africano na política externa e de defesa do Irã, enfatizando que Teerã adotou uma política de princípios para expandir as relações com os “países independentes e revolucionários” da África Ocidental, particularmente Burkina Faso.
O ministro da Defesa iraniano descreveu as revoluções na região do Sahel, em Burkina Faso, Níger e Mali, como movimentos populares contra as políticas coloniais. Ele destacou a crescente união entre os três países e elogiou a iniciativa de formar a Aliança do Sahel diante da pressão dos países ocidentais.
Nasirzadeh também se referiu às contínuas conspirações de países ocidentais com o objetivo de minar a soberania e a independência de Burkina Faso, enfatizando o apoio do Irã às nações independentes. Ele também expressou apreço pela posição do governo de Burkina Faso em condenar a “ação criminosa perpetrada pelo regime sionista contra a República Islâmica”, referindo-se à denúncia de Ouagadougou sobre a guerra imposta por Tel Aviv ao país em junho passado.
Burkina Faso elogia a resistência do Irã
Por sua vez, Simporé expressou solidariedade ao povo iraniano e respeito por aqueles que morreram nos 12 dias de ataques israelenses de 2025.
“Honramos a resistência do povo iraniano, que defendeu sua identidade e independência e as preservou contra todas as formas de dominação imperialista”, observou, acrescentando que os burkinenses acreditam “que o mundo pode viver em paz plena se as relações de dominação entre os países forem rompidas e houver mais espaço para a justiça e a paz”.
No mês passado, o Irã participou dos exercícios navais conjuntos do grupo Brics+, conhecidos como “Vontade de Paz 2026”, que começaram ao longo da costa sul-africana. O exercício, parte de uma cooperação estratégica mais ampla entre os países do Brics e seus parceiros, incluiu o Irã, juntamente com a Rússia, China, África do Sul, Etiópia, Indonésia, Brasil, Egito e Emirados Árabes Unidos.
Novas negociações com os EUA esta semana
Irã e Omã confirmaram novas conversações para quinta-feira (26), mas o governo dos Estados Unidos não confirmou a informação. O Irã advertiu nesta segunda-feira (23) que vai considerar “um ato de agressão” qualquer ataque ao seu território, mesmo que limitado, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insinuou que cogita esta possibilidade, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai.
Delegações dos dois países participaram em 17 de fevereiro, na Suíça, de uma segunda rodada de negociações indiretas, com mediação de Omã, sobre o programa nuclear de Teerã, em um momento de grande tensão após Washington enviar dois porta-aviões à região.
“Sobre a primeira pergunta a respeito de ataque limitado, não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, disse Baqai. Ele respondeu desta maneira ao ser questionado sobre as declarações do presidente estadunidense, que afirmou, na sexta-feira, que “considera” um ataque limitado contra o Irã se o país não alcançar um acordo rápido com os EUA.
“Qualquer Estado reagiria com força a um ato de agressão, em virtude de seu direito inerente à legítima defesa, e é exatamente isso que faríamos”, enfatizou Baqai.
Quando um jornalista perguntou a Trump na semana passada. “O senhor considera um ataque limitado se o Irã não chegar a um acordo?”, o presidente magnata respondeu. “O que posso dizer é que estou considerando isso”.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, lidera as negociações por parte de Teerã, enquanto o governo estadunidense é representado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro do presidente Trump, Jared Kushner. Trump se pergunta por que o Irã não “capitulou” diante da impressionante mobilização militar, declarou Witkoff em uma entrevista ao canal Fox News.
O porta-voz da diplomacia iraniana declarou nesta segunda-feira que os iranianos nunca se renderam em sua história.
