MODA E LUTA

Parceria entre MST e marca mineira Chico Rei transforma moda em plataforma de expressão

Parceria nasceu reafirmando Minas Gerais como território de luta e cultura

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O destaque vai para a linha especial de camisas Torcida MST, que conecta esporte, consciência social e memória cultural brasileira. | Crédito: Reprodução Chico Rei

Em uma colaboração inédita com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a marca mineira de roupas Chico Rei lançou, esta semana, uma nova coleção. Carregando o conceito “Moda é manifesto. Vestir é um ato político”, a parceria faz parte de uma série de collabs culturais da marca. 

Para o movimento, a ação conjunta é estratégica, por ampliar a luta pela reforma agrária popular, como explica a dirigente nacional do MST por Minas Gerais Tuíra Tule. 

“Essa parceria mostra que defender a terra, o alimento saudável e a responsabilidade social não é algo do passado mas uma agenda do futuro. Mais do que vestir uma camisa, é vestir uma ideia. E as ideias alimentam o povo. As ideias que alimentam o nosso povo têm a força para transformar o nosso país”, destaca.

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A coleção reúne camisetas e bonés em variadas malhas, com valores que vão de R$ 79,90 a 149,90. O lançamento abarca diferentes linhas e versões de produtos, como camisetas tradicionais, estonadas, minimalistas e cânhamo. As peças especiais procuram traduzir visualmente temas como trabalho coletivo, direito à terra e produção consciente.

“Nós acreditamos que vestir Chico Rei é uma forma de se apresentar ao mundo, de forma social e política. Há quase duas décadas, a nossa marca é espaço para arte brasileira e latina e para lutas sociais essenciais. O caminho que levou a essa coleção com o MST foi um caminho natural de uma empresa que acredita no coletivo como forma de construção. E, para a gente, é, sem nenhuma dúvida, um orgulho gigante estar ao lado do maior movimento social da América Latina”, destacou o fundador da Chico Rei, Bruno Imbrizi.

Foto: Reprodução Chico Rei

Outro destaque vai para a  linha especial de camisas Torcida MST, que conecta esporte, consciência social e memória cultural brasileira. Já de olho na Copa do Mundo, a marca entendeu que o MST precisava de um manto para a torcida. 

“Lançamos dois modelos em dryfit. Também trouxemos a tecnologia da malha de cânhamo em outros dois produtos. Claro, o boné do MST chegou nesse lançamento, porém, com uma nova roupagem, tanto na cor quanto no modelo. Ao todo, são 16 produtos nesse que é o primeiro passo com o movimento” explicou o fundador da Chico Rei.

Moda e luta

Como defende o MST, a construção da reforma agrária popular abarca não só a produção de alimentos saudáveis, mas também a organização coletiva, cultura e um projeto de sociedade baseado na justiça social e na agroecologia. Tudo isso se constituí também na construção de identificações coletivas e identidades, segundo Tuíra Tule.

“Quando essa identidade dialoga com a moda, estamos ocupando também um espaço da cultura, da comunicação. Vivemos um tempo em que as disputas acontecem no imaginário, na batalha das ideias. Transformar a roupa em uma linguagem política ajuda a romper os estigmas e aproximar o campo da cidade”, afirma a dirigente do MST. 

Para a Chico Rei, o lançamento reforça o papel da moda como meio de comunicação pública e escolha individual e está levando a bandeira do MST para um público de quase 1 milhão de clientes. 

“A Chico Rei entende a roupa como linguagem. Ao longo da nossa trajetória, transformamos camisetas em plataformas de expressão cultural e social. Essa collab nasce do reconhecimento de valores como trabalho manual, organização coletiva e responsabilidade sobre o que se produz e consome. Vestir também é uma forma de declarar o que se acredita”, afirma Vitor Vizeu, diretor de marketing da Chico Rei.

Uma parceria com DNA mineiro 

A marca nasceu em Minas Gerais e acredita no impacto positivo do consumo consciente. Desde 2020, mantém uma fábrica na Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora, onde capacita e oferece oportunidade de trabalho para pessoas privadas de liberdade. E, como explica o fundador da Chico Rei, foi justamente em solo mineiro que essa collab começou.  

“Para que a coleção fosse lançada nacionalmente, o papo começou justamente com as lideranças de Minas Gerais. O papo ficou mais fácil entre mineiros. A Chico Rei já é espaço para lançamentos de diversos projetos sociais e ambientais sérios. Então, nos entendemos de maneira super ágil”, relembra  Imbrizi.

Por sua vez, o MST, que está presente no estado há 38 anos, entende que este é um território de luta, de resistência, de organização popular e de construção concreta da reforma agrária.

Foto: Reprodução Chico Rei

“São assentamentos e acampamentos que produzem alimentos saudáveis, que constroem cooperativas, que desenvolvem agroecologia e que mantêm viva a solidariedade como prática cotidiana. O reconhecimento dessa história por uma marca mineira como a Chico Rei tem um peso simbólico importante”, adiciona Tule.

“Minas Gerais é o berço da liberdade. A reforma agrária é, sem nenhuma dúvida, o principal passo para que milhões de pessoas construam suas histórias de autonomia. Para além do olhar de cada pessoa que caminha com o MST, também entendemos a importância em nível nacional da reforma. Enxergamos potência econômica e cultural nessa jornada. Falar sobre o movimento e construir produtos que permitam esse diálogo é a nossa forma de expandir os horizontes sobre esse debate tão urgente”, pontua, em consonância com a dirigente do MST,  Imbrizi. 

Processo criativo e parceria 

Para ele, transformar em produtos, coleção e campanhas o trabalho do MST só foi possível por meio de uma construção a várias mãos. Para consolidar esse diálogo, foi feita uma visita ao Assentamento Denis Gonçalves, na Zona da Mata mineira, região onde está a sede da Chico Rei, que resultou no ensaio fotográfico de divulgação da coleção. 

“Não apenas visitamos o assentamento em Minas Gerais, mas também participamos do encontro nacional [do MST] em Salvador. Esses foram caminhos para que a gente pudesse construir a coleção banhados por toda a luta, para que pudéssemos traduzir da melhor forma possível. Além de termos feito um estudo gigante sobre as mais de quatro décadas do MST”, aponta Imbrizi.

O assentamento, como explica Tule, é lar de mais de 170 famílias, possui duas cooperativas, associação de mulheres, escola e um vasto patrimônio histórico da questão agrária brasileira. Lá também se mantém mais de 50% do território de Mata Atlântica preservada. 

“A visita ao assentamento Denis Gonçalves foi um momento fundamental, porque, quando se pisa no território, quando se conversa com as famílias, quando se vê a produção acontecendo, a parceria deixa de ser conceito e vira experiência concreta. Vira relação. Isso fortalece o respeito, quebra preconceitos e mostra que o MST é feito de gente que trabalha, produz e organiza esperança todos os dias”, conclui a dirigente nacional do movimento. 

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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