A segunda pesquisa AtlasIntel do ano, divulgada nesta quarta-feira (25), mostra empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No cenário de segundo turno, o senador registra 46,3% das intenções de voto, contra 46,2% do presidente.
É a primeira vez na série histórica que Flávio aparece numericamente à frente, ainda que dentro da margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. O percentual de brancos, nulos e indecisos chegou a 7,5% nesta rodada.
A evolução do confronto mostra crescimento consistente do senador nos últimos três meses. Em dezembro de 2025, Lula liderava com 53% contra 41% de Flávio. Em janeiro de 2026, a diferença caiu para 49,2% a 44,9%. Agora, em fevereiro, há empate técnico absoluto.
Para o ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino, o levantamento indica a necessidade de reorganizar a estratégia política do campo governista. “O recado que a pesquisa deixa é que temos que definir bem os rumos da campanha. Temos que dialogar com a população e apresentar um programa de transformação da vida do povo. Tem um eleitorado que desaprova o governo por desconhecimento, precisamos mostrar o que o governo fez até aqui”, afirmou.
O cenário contra Tarcísio de Freitas também indica mudança recente. Na pesquisa atual, o governador soma 47,1%, enquanto Lula aparece com 45,9%. Em janeiro de 2026, o presidente mantinha vantagem de 49,1% contra 45,4%.
O histórico desse confronto é mais longo e marcado por alternâncias. Em dezembro de 2024, Lula abriu dez pontos de frente, com 49% contra 39%. Ao longo de 2025, Tarcísio chegou a liderar em momentos específicos, como em maio, com 48,9%, e em agosto, com 48,4%. Lula retomou vantagem no final do ano e atingiu 52% em outubro de 2025, mas voltou a recuar nos primeiros meses de 2026.
A pesquisa mostra ainda que Lula venceria Michelle Bolsonaro por 47,5% a 44,7%. Em uma repetição do segundo turno de 2022 contra Jair Bolsonaro, o presidente teria 47,3% ante 45,4%.
No primeiro turno, Lula lidera os principais cenários testados. Contra Flávio Bolsonaro, marca 45%, frente a 37,9% do senador. Em simulação com Tarcísio, registra 43%, enquanto o governador alcança 36%.
No campo da avaliação, 46,6% aprovam o desempenho pessoal de Lula, enquanto 51,5% desaprovam. Sobre o governo, 42,7% classificam a gestão como ótima ou boa, 48,4% como ruim ou péssima, e 8,9% como regular.
O levantamento ouviu 4.986 pessoas entre os dias 19 e 24 de fevereiro de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07600/2026.
Centrão tem desempenho limitado e alta rejeição
Os nomes associados ao chamado centrão apresentam baixo desempenho nos cenários de primeiro turno e índices relevantes de rejeição.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), oscila entre 4,5% e 5,3%. Seu melhor resultado ocorre no cenário em que Fernando Haddad substitui Lula como candidato governista. Em termos de imagem pública, 31% o avaliam positivamente, 35% negativamente, e 34% não souberam opinar.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), varia de acordo com o contexto da disputa. Quando Flávio Bolsonaro ou Tarcísio aparecem como principais nomes da direita, Zema registra entre 3,8% e 4,2%. Em cenários sem outros candidatos fortes desse campo, sobe para 9% e 9,1%. Ele tem 36% de imagem positiva e 41% negativa.
Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, marca entre 0,9% e 2% nas simulações. Possui 27% de imagem positiva, 31% negativa, e 42% afirmam não conhecê-lo ou não ter opinião formada.
Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul, mantém cerca de 1% nos cenários com Lula. Em simulações com Fernando Haddad, alcança pouco mais de 3%. Ele registra 23% de imagem positiva e 45% negativa, a maior taxa de rejeição entre os quatro.
Os dados indicam que, embora Lula lidere no primeiro turno, a tendência recente nos cenários de segundo turno aponta retração do presidente e crescimento dos principais nomes da direita, mantendo a disputa dentro da margem de erro e consolidando um ambiente de forte polarização.
