A terceira rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã começou na manhã desta quinta-feira (26/01), em Genebra, na Suíça. As delegações de ambos os países se reúnem sob mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi.
Antes do encontro, al-Busaidi se reuniu com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, para “consultas e troca de opiniões sobre questões técnicas” relacionadas ao dossiê nuclear entregue pelo Irã e às ideias em negociação entre os dois lados.
A presença de Grossi é apontada como estratégica, já que caberá à agência avaliar eventuais compromissos técnicos ligados ao enriquecimento de urânio e aos mecanismos de verificação.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, contatos iniciais entre autoridades omanenses e norte-americanas começaram ainda pela manhã, enquanto a delegação de Teerã se dirigia ao local das negociações.
Ele relatou que Teerã já apresentou suas posições a al-Busaidi, durante uma reunião, ocorrida na noite de ontem, entre o chanceler e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Do lado norte-americano, participam das negociações o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner. Segundo o chanceler de Omã, que se reuniu com a delegação norte-americana, os “negociadores demonstraram uma abertura sem precedentes para ideias e soluções novas e criativas”.
Washington continua apresentando sinais ambíguos. Nesta quarta-feira (15/02), o país anunciou novas sanções contra o Irã, após Donald Trump acusar o governo iraniano de perseguir “ambições sinistras” em seu discurso sobre o Estado da União, referindo-se à fabricação de armas nucleares.
Antes de embarcar para Genebra, o chanceler Araghchi reforçou a disposição de alcançar um entendimento, mas manteve as linhas vermelhas de Teerã. “Nossas posições e crenças fundamentais são completamente claras. O Irã jamais, sob quaisquer circunstâncias, buscará desenvolver armas nucleares; ao mesmo tempo, nós, iranianos, jamais abriremos mão do nosso direito de nos beneficiarmos da tecnologia nuclear para fins pacíficos”, declarou.
Ele acrescentou que “chegar a um acordo está ao nosso alcance, mas apenas se a diplomacia for priorizada”.
