Nunca houve um verão tão chuvoso como esse. Foram dias seguidos de muitas chuvas. Bairros alagados, árvores caídas espalhadas pelas cidades em todo Estado do Rio de Janeiro. Rios e bueiros entupidos impedindo o fluxo natural das águas. Foi tanta chuva que o Estado do Rio fez chover até num outro Estado, o de Santa Catarina. Uma chuva que causou espanto, dessa vez não pela quantidade de água, mas pela quantidade de dinheiro arremessada de um apartamento, cuja origem é atribuída ao desvio de dinheiro público oriundo do caixa do Rioprevidência.
Mas o que houve? O que é o Rioprevidência? Com sede na rua da Alfândega, número 8, é o órgão do governo do Estado do Rio de Janeiro que tem como competência a gestão dos recursos financeiros para o pagamento dos benefícios previdenciários do Rio de Janeiro.
Uma autarquia responsável por cuidar da aposentadoria dos trabalhadores que por toda sua vida contribuíram com parte de seus salários para futuramente poderem se aposentar tranquilamente. No entanto, o caso da chuva de dinheiro no dia 11 de fevereiro em Santa Catariana tem tirado o sono dos aposentados do estado do Rio.
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Esse episódio está ligado a fraude do banco Master, que era administrado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Com inúmeros tentáculos no Congresso Nacional, e principalmente em Estados administrados por governadores apoiadores da família de Jair Bolsonaro, Vorcaro conseguiu, não se sabe por quais meios, que estados e municípios investissem todo esse dinheiro dos aposentados em um banco que caminhava a passos largos para falência. O estado do Rio lidera com um aporte de R$ 960 milhões. Os problemas do Banco Master, ao que tudo indica, foram encobertos pela administração do Banco Central durante a presidência de Campos Neto, indicado por Bolsonaro.
Até o momento, foi preso o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, nomeado pelo governador Cláudio Castro. Antes de sua prisão, seus endereços conhecidos haviam sido esvaziados, e as investigações levaram até as malas de dinheiro que foram arremessadas pela janela do apartamento em Santa Catarina. As investigações continuam, e cabe ressaltar que quem indicou e quem nomeou Deivis Marcon Antunes segue apenas como suspeito.
*Editorial publicado originalmente na edição 382 do jornal Brasil de Fato RJ.
