Um míssil do ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu uma escola primária feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país, e deixou 85 mortas entre as 170 estudantes que estavam no local neste sábado (28), segundo a agência estatal iraniana IRNA. O número de vítimas fatais havia sido inicialmente divulgado como 24, mas foi atualizado ao longo do dia.
O bombardeio à escola ocorreu no contexto da ofensiva militar lançada por Washington e Tel Aviv contra o território iraniano nas primeiras horas do sábado (28). A operação foi confirmada pelos dois governos e desencadeou uma resposta militar do Irã contra bases estadunidenses no Golfo Pérsico e contra territórios ocupados por Israel.
Além do ataque em Minab, a agência Mehr informou que ao menos dois estudantes morreram após um bombardeio atingir uma escola a leste da capital Teerã. Segundo a agência, um estudante também morreu e outros ficaram feridos após um míssil atingir uma área residencial na cidade de Abyek, próximo a um reservatório de água.
A presidenta do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, destacou que “infraestruturas civis como hospitais, casas e escolas devem ser poupadas de ataques” e que profissionais de saúde e equipes de resgate precisam poder atuar com segurança.
Diante dos bombardeios que atingiram unidades de ensino no Irã, ela afirmou que “respeitar as regras da guerra é uma obrigação e não uma escolha” e alertou que a escalada militar no Oriente Médio “está incendiando uma reação em cadeia perigosa em toda a região, com consequências potencialmente devastadoras para civis”. Segundo Spoljaric, em conflitos armados internacionais aplicam-se as quatro Convenções de Genebra.
As ações ampliam a dimensão civil da escalada militar. O espaço aéreo iraniano foi fechado, e diferentes cidades registraram explosões ao longo do dia.
A ofensiva ocorre enquanto estavam em andamento negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano, reconhecidas pelo próprio governo de Teerã e mencionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Irã pede ação do Conselho de Segurança
Diante da escalada, o governo iraniano pediu a convocação imediata de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmail Baqai, declarou que “a agressão do regime sionista e de EE.UU. são absolutamente inadmissíveis e um crime evidente. Esperamos que outros países não se queden indiferentes e condenen estas acciones. El Consejo de Seguridad de la ONU debe convocar inmediatamente una reunión urgente y condenarlas”, afirmou à emissora IRIB.
Segundo Baqai, o Irã espera que a comunidade internacional condene os ataques e adote providências diante do que classificou como agressão.
