CONFLITO SE EXPANDE

Líbano proíbe atividades militares do Hezbollah; ataques de Israel mataram mais de 30 no país

Decisão ocorre após ameaça de ataque dos Estados Unidos

Defesa civil libanesa nos destroços causados por ataque israelense ao Vale do Beca no Sul do Líbano
Defesa civil libanesa nos destroços causados por ataque israelense ao Vale do Beca no Sul do Líbano | Crédito: AFP

O governo libanês proibiu as atividades militares do movimento pró-iraniano Hezbollah e pediu que entregue suas armas ao Estado, anunciou nesta segunda-feira (2) o primeiro-ministro, Nawaf Salam, após uma reunião do Executivo. Bombardeios israelenses no final de semana mataram ao menos 31 pessoas em Beirute e no sul do Líbano.

A decisão foi tomada depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em solidariedade ao Irã, que está sendo atacado pelos Estados Unidos e Israel. O movimento declarou que o ataque foi uma resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado por ataques israelenses à capital iraniana, Teerã.

O primeiro-ministro libanês anunciou, então, “a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah” e exigiu que o grupo “entregue suas armas ao Estado libanês” e limite suas atividades à política. Também foi decretada a prisão dos responsáveis pelo lançamento dos foguetes.

Durante a noite desta segunda, o grupo respondeu aos ataques israelenses pela primeira vez em mais de um ano, disparando uma saraivada de mísseis e drones contra uma base militar israelense na cidade de Haifa, no norte do país.

Israel afirmou ter matado importantes líderes do Hezbollah nos ataques ao sul do Líbano e a Dahiyeh. Também emitiu avisos de deslocamento em massa para mais de 50 cidades e vilarejos no sul e leste do Líbano. As cenas de carros em fuga, para-choque a para-choque, remeteram aos piores dias da guerra de Israel contra o Líbano em 2023 e 2024.

Autoridades dos Estados Unidos disseram a um canal de TV libanês que agora consideram encerrado o cessar-fogo no Líbano, iniciado em novembro de 2024, e que não irão interferir para impedir os ataques de Israel contra o país. Eles disseram que não esperavam que o aeroporto ou os portos do Líbano fossem alvejados, mas exigiram que a designação do Hezbollah como uma “organização terrorista” pelo Estado libanês, “caso contrário, não haverá distinção entre os dois”.

Quando Israel, que tem atacado o Líbano quase diariamente apesar do cessar-fogo, respondeu ao bombardeio do Hezbollah, fortes estrondos acordaram os moradores da capital. O Ministério da Saúde Pública do Líbano informou que 31 pessoas morreram e 149 ficaram feridas.

Israel então emitiu alertas de evacuação para mais de 50 cidades no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, levando a cenas que lembram o dia 23 de setembro de 2024, quando ataques mataram cerca de 500 pessoas e deslocaram mais de um milhão em um único dia.

Líbano tragado para o conflito

Durante a guerra de 2023-2024 entre Israel e o Hezbollah, Israel matou mais de 4 mil pessoas no Líbano, incluindo o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e a maior parte da alta cúpula militar do grupo.

Israel também invadiu o sul do Líbano e, apesar de ter concordado em retirar suas tropas no cessar-fogo de 27 de novembro de 2024, manteve o controle de cinco pontos no Líbano.

Entretanto, o país comandado por Benjamin Netanyahu continuou a atacar o sul do país e o Vale do Bekaa, apesar do cessar-fogo. Segundo relatos, Israel também enviou uma mensagem indireta ao Líbano de que atacaria infraestruturas civis, incluindo o aeroporto de Beirute, caso o Hezbollah decidisse retaliar.

O ataque do Hezbollah no final da noite de domingo e início da manhã de segunda-feira provocou fortes reações de seus críticos no Líbano, que o culparam por dar a Israel uma brecha para retomar uma retaliação generalizada.

O Hezbollah ainda não se manifestou sobre a decisão do governo libanês. O Irã é o principal benfeitor e guia ideológico do grupo, um membro fundamental do “eixo da resistência”, apoiado or Teerã. A aliança informal de grupos inclui o Hamas, os houthis do Iêmen, as Forças de Mobilização Popular do Iraque e, até sua queda em dezembro de 2024, o regime de Bashar al-Assad na Síria.

Analistas afirmaram que o Hezbollah provavelmente sabia, antes do ataque, que ele teria graves consequências para a comunidade xiita do Líbano, de onde o grupo obtém a grande maioria de seu apoio.

Editado por: Nathallia Fonseca

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