As seis pessoas detidas por participação em uma tentativa de incursão armada contra Cuba deverão enfrentar acusações por terrorismo, informou o Ministério Público Geral da República de Cuba. Em um breve comunicado divulgado nesta terça-feira (3), a instituição destacou que os acusados serão processados de acordo com o Código Penal e que foi solicitada a prisão preventiva como medida cautelar. O documento aponta ainda que o processo será conduzido respeitando o devido processo legal e as garantias jurídicas vigentes.
Os detidos faziam parte de um grupo de dez pessoas armadas — todas residentes nos Estados Unidos — que foi interceptado na madrugada de 25 de fevereiro, ao tentar entrar ilegalmente em Cuba em uma lancha rápida registrada na Flórida, transportando um arsenal significativo de armas.
A embarcação foi detectada navegando aproximadamente a uma milha náutica a nordeste do canal El Pino, na província de Villa Clara. Segundo a versão oficial, a lancha entrou em águas jurisdicionais cubanas às 7h10 (hora local), sem notificação prévia. Diante disso, uma unidade com cinco guardas de fronteira foi enviada para identificá-la.
Ao se aproximar da patrulha cubana, os ocupantes da lancha abriram fogo, ferindo o comandante da unidade interceptadora. O ataque gerou um confronto a cerca de 20 metros de distância, resultando em quatro mortos e seis detidos entre os tripulantes da lancha. Imediatamente após a divulgação dos fatos, o governo qualificou o ocorrido como uma tentativa de ataque terrorista.
Segundo investigações preliminares do Ministério Público cubano, o grupo teria saído da Flórida durante a madrugada em duas embarcações. No entanto, uma delas apresentou falhas mecânicas em alto-mar, fazendo com que seus cinco ocupantes, junto com as armas e munições, fossem transferidos para a outra embarcação, que acabou penetrando em águas cubanas.

O Ministério do Interior (Minint) informou que a maioria dos envolvidos possuía antecedentes criminais e que dois deles constavam em listas de pessoas associadas a atividades terroristas. Além disso, as autoridades estadunidenses confirmaram que pelo menos um dos mortos e um dos detidos são cidadãos dos Estados Unidos.
Durante a operação, foram apreendidos quatorze fuzis — incluindo de assalto e de precisão —, onze pistolas, espingardas, 134 carregadores e cerca de 13 mil munições de diferentes calibres. Também foram confiscados coletes à prova de balas, bombas artesanais, baionetas, facas, dez kits militares completos, uniformes de camuflagem, equipamentos de visão noturna, um drone, um gerador elétrico e um sistema satelital.
As autoridades cubanas afirmam que se trata de material de guerra de alta potência, destinado à execução de ações violentas e à promoção de desestabilização interna. O incidente ocorre em um contexto de aumento das hostilidades dos Estados Unidos contra a ilha, após Washington ter emitido, em 29 de janeiro, uma ordem executiva ameaçando impor sanções a países que “vendam ou forneçam petróleo” a Cuba, medida que, na prática, tem resultado em um estrangulamento energético do país.
Propaganda contra Cuba
Segundo um recente relatório do Observatório de Mídia de Cuba, nas semanas anteriores à tentativa de incursão ilegal, houve aumento de mensagens em redes sociais convocando à derrubada do governo cubano, provenientes de contas vinculadas a grupos da direita cubana residentes na Flórida.
Um estudo baseado na análise de 114 publicações relacionadas a diversos envolvidos na tentativa de infiltração documentou a circulação de imagens, vídeos e textos em que alguns exibiam armas de alto calibre e sugeriam a preparação de ações violentas contra a ilha.
“O problema não é apenas o que ocorreu em 25 de fevereiro, mas como foi possível que, durante meses, circulassem imagens e declarações de preparação armada sem que as plataformas acionassem mecanismos preventivos eficazes”, afirma o Observatório, acrescentando que “o ecossistema dos cubanos ultradireitistas da Flórida apresenta condições de permissividade simbólica”.
Reação diplomática e comunicação bilateral
Ao tomar conhecimento dos fatos, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que, desde que foi detectado que a embarcação vinha do território estadunidense, as autoridades cubanas mantiveram comunicação com seus homólogos nos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Estado e a Guarda Costeira.
Em uma breve coletiva de imprensa realizada em 26 de fevereiro, Cossío afirmou que se tratou de “uma tentativa de infiltração com fins terroristas” e enfatizou que o ocorrido não pode ser considerado um ato isolado. Lembrou que Cuba tem sido vítima de agressões e inúmeros atos terroristas por mais de 60 anos, ações organizadas e executadas principalmente a partir dos Estados Unidos.
“Os grupos anticubanos que operam nos Estados Unidos recorrem ao terrorismo como expressão de seu ódio a Cuba e da impunidade que acreditam desfrutar”, declarou, ressaltando que esses grupos “recorrem ao terrorismo como expressão de sua hostilidade contra Cuba”.
