MULHERIO DAS LETRAS

Festival de escritoras do Rio Grande do Sul terá prévia no Dia Internacional das Mulheres

Debate sobre etarismo e literatura abre programação de encontro que reúne autoras de diferentes regiões em Porto Alegre

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Festival do Mulherio das Letras acontece de 19 a 22 de março
Festival do Mulherio das Letras acontece de 19 a 22 de março | Crédito: Yessa Kiara

Um debate sobre etarismo e literatura abre, no domingo (8), a programação do primeiro Festival do Mulherio das Letras do Rio Grande do Sul, iniciativa dedicada a valorizar a produção literária de mulheres e ampliar a circulação de autoras no cenário cultural. O encontro ocorrerá às 17h, em formato híbrido, com participação presencial na sede da organização não governamental Cirandar, em Porto Alegre, e transmissão ao vivo pelo canal do coletivo no YouTube.

A atividade funciona como uma prévia do festival, que terá sua programação principal entre os dias 19 e 22 de março. Segundo as organizadoras, o objetivo é apresentar ao público os debates que deverão atravessar o encontro e mobilizar escritoras, leitoras e pesquisadores interessados na produção literária feminina contemporânea.

O tema escolhido para a mesa de abertura, etarismo e literatura, pretende discutir de que forma a idade pode influenciar trajetórias literárias, reconhecimento crítico e oportunidades de publicação. O debate será mediado pela escritora, roteirista e produtora cultural Laís Chaffe, uma das articuladoras do movimento Mulherio das Letras no Rio Grande do Sul.

Escritoras de diferentes regiões participam da conversa

A mesa reunirá autoras de diferentes regiões do país. Participam de forma on-line a poeta mineira Adriane Garcia e a escritora Maria Valéria Rezende, radicada na Paraíba. Presencialmente, no espaço da Cirandar, estará a poeta e jornalista Maria Alice Bragança, autora de livros de poesia publicados ao longo de quase quatro décadas.

Adriane Garcia construiu trajetória na poesia contemporânea brasileira e recebeu reconhecimento por obras como Fábulas para adulto perder o sono, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura em 2013. Entre seus livros também estão O nome do mundo, Garrafas ao mar e A bandeja de Salomé, além do título infantojuvenil Estive no fim do mundo e me lembrei de você, que recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Maria Valéria Rezende, por sua vez, é considerada uma das autoras mais reconhecidas da literatura brasileira contemporânea. Nascida em Santos (SP) e radicada em João Pessoa (PA), ela construiu trajetória que combina produção literária e atuação em projetos de educação popular. Entre suas obras estão O voo da guará vermelha, Quarenta dias, Outros cantos, Carta à rainha louca e Modo de apanhar pássaros à mão. O romance Quarenta dias recebeu prêmios como Casa de las Américas, São Paulo de Literatura e Jabuti, enquanto Outros cantos foi reconhecido com o Prêmio São Paulo de Literatura e Carta à rainha louca venceu o Prêmio Oceanos.

A poeta Maria Alice Bragança, que participa presencialmente do encontro, nasceu em Porto Alegre e também construiu trajetória vinculada à literatura e ao jornalismo. Entre suas obras estão os livros de poesia Quarto em quadro, Cartas que não escrevi, Misterioso pássaro e Escutar é lento. Sua produção já integrou antologias e publicações literárias em diversos países, incluindo Cabo Verde, Chile, Espanha, México, Peru e Portugal, além de ter poemas traduzidos para diferentes idiomas.

Movimento literário de escritoras

O festival é organizado pelo coletivo Mulherio das Letras do Rio Grande do Sul, articulado em diálogo com o movimento nacional criado por escritoras brasileiras para fortalecer a presença feminina na literatura. A iniciativa surgiu como espaço de encontro, troca de experiências e organização coletiva entre autoras de diferentes regiões do país.

No estado, a articulação foi impulsionada por escritoras, pesquisadoras e produtoras culturais que passaram a promover atividades voltadas à divulgação da literatura escrita por mulheres. A escritora Laís Chaffe, que participa da mediação do debate de abertura, foi uma das criadoras do grupo Mulherio das Letras do Rio Grande do Sul nas redes sociais e atua na organização de eventos e projetos do coletivo.

Chaffe também desenvolve trabalhos no campo audiovisual e dirigiu o documentário Mesmo que tudo dê errado, já deu tudo certo, que acompanha a trajetória da escritora Maria Valéria Rezende. Na literatura, publicou o livro de poemas Segue anexa minha sombra, que recebeu prêmios literários no estado.

Programação e inscrições

Segundo as organizadoras, o debate do dia 8 de março também marcará o lançamento oficial da programação completa do festival. Durante o encontro serão anunciadas as atividades previstas para os quatro dias do evento, que incluirão mesas de debate, encontros literários, leituras e outras atividades voltadas ao público interessado em literatura.

Na mesma data também serão abertas as inscrições gratuitas para participação no festival. O acesso será realizado por meio de formulário disponibilizado nas redes sociais do coletivo Mulherio das Letras do Rio Grande do Sul e da organização Cirandar.

O primeiro Festival do Mulherio das Letras do Rio Grande do Sul é realizado pelo coletivo Mulherio das Letras do estado em parceria com a organização não governamental Cirandar. A iniciativa conta com apoio do Ministério da Cultura por meio de emenda parlamentar destinada pela deputada federal Fernanda Melchionna (Psol/RS).

Editado por: Marcelo Ferreira

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