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O impacto do assassinato de Khamenei: entenda o papel do líder supremo na estrutura e resistência do Irã

Novo episódio do BdF Explica analisa como a religião e a política se entrelaçam no país

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Irã é uma teocracia desde 1979 e permanece como um dos últimos países do Oriente Médio a resistir à lógica exploratória dos EUA. Foto: Mohammed Huwais/AFP
Irã é uma teocracia desde 1979 e permanece como um dos últimos países do Oriente Médio a resistir à lógica exploratória dos EUA | Crédito: Mohammed Huwais/AFP

No último sábado (28), o cenário geopolítico global foi impactado pelo início de ataques planejados por Israel, com apoio dos Estados Unidos, contra o Irã. O conflito resultou no assassinato do aiatolá Ali Khamenei, figura que exercia o papel de líder político e autoridade máxima religiosa do país.

Para compreender a magnitude desse evento, é necessário analisar como a religião e a política se entrelaçam no Irã e o que Khamenei representava para a soberania iraniana.

Fé e resistência: o modelo teocrático

Desde a Revolução de 1979, o Irã consolidou-se como uma teocracia, sistema onde política e religião estão profundamente conectadas. Diferente de democracias ocidentais ou outras monarquias da região, a autoridade máxima não é o presidente, mas sim o líder supremo.

Essa estrutura representa uma exceção no Oriente Médio, onde muitos governos são considerados “países fantoches” dos EUA, que frequentemente demandam gestões menos alinhadas a radicalismos religiosos. Nesse contexto, a religião tornou-se uma ferramenta de política e resistência, reafirmando valores nacionais e morais contra a dominação ocidental

No Irã, assim como no Iraque e na Síria, a maioria da população pertence ao ramo do islamismo chamado de xiita. Eles têm uma forma de enxergar a religião muçulmana diferente do outro ramo principal, o sunita. Embora ambos compartilhem o Alcorão e os princípios básicos do Islã, eles se consideram praticamente de etnias distintas.

Essa diferença entre sunitas e xiitas vem sendo usada politicamente, aprofundando o ódio e as disputas entre os dois grupos.

O poder do líder supremo estende-se por todos os pilares da sociedade iraniana. Khamenei era responsável por nomear o chefe do Judiciário, o comando da mídia estatal e definir as diretrizes morais do país, incluindo leis de vestuário como o uso do hijab.

Seus decretos religiosos, conhecidos como fátuas, funcionam como leis nacionais, influenciando desde a diplomacia — como a proibição de armas nucleares — até sentenças judiciais.

No campo institucional, o líder controla o Conselho de Guardiões, órgão que filtra quem pode ou não concorrer à presidência. Além disso, ele comanda a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), uma força militar de elite dedicada à proteção do sistema teocrático e à repressão de dissidências.

A influência do cargo também é econômica. Através das Bonyads — fundações de caridade que controlam grandes conglomerados industriais e imobiliários —, o Líder Supremo supervisiona entre 20% e 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essas fundações respondem diretamente à liderança e operam de forma isenta de impostos e fiscalização governamental.

Para enfrentar as sanções internacionais, foi estabelecida a chamada “Economia da Resistência“, focada na autossuficiência e no controle dos recursos naturais como salvaguarda da soberania.

Sucessão e soberania

Aos 86 anos, a sucessão de Khamenei, que governava desde 1989, já era um processo previsto. No entanto, a solidez do Estado iraniano o diferencia de outros países da região que sofreram intervenções externas, como Iraque, Líbia e Síria.

Enquanto essas nações enfrentaram fragmentação e tornaram-se Estados falidos após a queda de seus líderes, o Irã possui uma burocracia e um “Estado profundo” mais consolidados.

O Irã permanece como um dos últimos países da região a resistir à lógica exploratória dos Estados Unidos, lutando pela manutenção de um sistema político independente do imperialismo.

O desfecho desta nova crise testará a resiliência de um modelo que, há décadas, serve como exemplo de soberania para nações que buscam trilhar caminhos livres de tutelas estrangeiras.

Editado por: Rodrigo Durão

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