PROTAGONISMO

Gestão feminina nos botecos de BH transforma comida, cultura e convivência

No mês das mulheres, roteiro mostra bares onde gestão feminina une afeto, segurança e criatividade na capital mineira

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Proprietária do bar Madame Geneva
Proprietária do bar Madame Geneva | Crédito: Reprodução/ Redes sociais

Em uma cidade conhecida nacionalmente pela cultura dos botecos, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço nesse território. Em Belo Horizonte, bares chefiados por mulheres vêm redefinindo a boemia local ao combinar tradição, gastronomia afetiva e ambientes pensados para acolher diferentes públicos.

Mais do que administrar negócios, essas empreendedoras têm criado espaços que valorizam segurança, diversidade e encontros. Em muitos casos, são bares que nasceram da cozinha de casa, da memória familiar ou de projetos coletivos que buscam transformar o ato de beber e comer fora em uma experiência comunitária.

No mês das mulheres, conhecer esses lugares é também reconhecer a presença feminina em territórios historicamente associados aos homens. A seguir, confira alguns bares comandados por mulheres na capital mineira que vêm revolucionando a forma como experienciamos esses espaços. 

Alguns estabelecimentos já fazem parte da história da cidade e mantêm viva a culinária mineira de raiz, com pratos que lembram a comida de casa e clima de conversa de esquina.

Bar da Lora – Mercado Central

Primeira mulher a comandar um bar no tradicional Mercado Central, Elisa Fonseca transformou o local em referência gastronômica. O carro-chefe é o clássico fígado com jiló, um dos petiscos mais emblemáticos de BH.

Bar da Sãozinha – Santa Tereza

Há mais de duas décadas no bairro boêmio de Santa Tereza, o bar mantém o espírito de boteco de esquina, com petiscos tradicionais e ambiente simples e acolhedor. São 24 anos de história marcados pela presença constante da comunidade local.

Bar da Tia Rute – Ouro Preto

Conhecido pela comida caseira e pelo torresmo caprichado, o bar preserva aquele clima familiar típico dos botecos mineiros. Frequentadores costumam dizer que comer ali é como almoçar na casa de uma tia.

Geraldin da Cida

No boteco comandado por Cida, a cozinha é reconhecida pela qualidade dos pratos e pela atmosfera de casa. Curiosamente, o único homem da equipe é o Geraldinho, todo o restante do time é formado por mulheres.

Bares autorais e contemporâneos

A presença feminina também se destaca em bares que apostam em propostas contemporâneas, diversidade cultural e novas experiências gastronômicas.

Yanã – Santa Efigênia

Construído e gerido por mulheres, o bar dialoga com o sagrado feminino e aposta em uma carta criativa de coquetéis, além de eventos culturais.

Borda Bar – Floresta

Comandado por Carol, Ana e Adriana, o espaço tem forte conexão com o público LGBTQIA+ e promove festas, encontros e experiências gastronômicas inclusivas.

Boteco Nada Contra

A chef Samira Lyrio aposta na chamada “culinária de estufa”, com petiscos e pratos preparados lentamente, que preservam sabores e memórias da cozinha mineira.

Madame Geneva – Luxemburgo

Com ambiente intimista e carta de drinks autorais, o bar se tornou um dos pontos da noite belo-horizontina para quem busca coquetelaria criativa e pista animada.

Graffica Bar – Centro (Edifício Maletta)

No coração do tradicional reduto cultural do Maletta, o bar comandado por Marilda aposta em um ambiente iluminado e acolhedor para encontros no centro da cidade.

Casas que ampliam a experiência

Alguns espaços vão além do conceito de bar e se aproximam de centros culturais, quintais comunitários ou experiências gastronômicas experimentais.

Dona Ninguém – bar jovem e diverso criado por mulheres

Cais Lab – laboratório gastronômico com experiências de fermentação

Botequim Madureira – samba, pôr do sol e equipe 100% feminina

Galpão Flor do Campo – cervejas especiais, arte e clima de quintal

Casa Mojubá – espaço afrodiaspórico de cultura e gastronomia

A Casa da Uva – wine bar com parreira ao ar livre

Sinhá Erozitha – bar de mãe e filha com petiscos premiados

Kobe’s Emporium Bar – mistura de culinária gaúcha e mineira com mais de 400 cachaças

Ocupar a cidade

A presença de mulheres na gestão de bares na capital mineira também dialoga com um debate mais amplo: o direito das mulheres de ocupar a cidade. Historicamente, a vida noturna e os espaços de boemia foram construídos a partir de uma lógica masculina, em que muitas mulheres frequentavam bares apenas acompanhadas ou enfrentando situações de constrangimento e insegurança.

Além de influenciar a gastronomia e a identidade dos espaços, a gestão feminina costuma priorizar ambientes mais acolhedores, atentos à segurança e à diversidade de públicos. Não por acaso, muitos desses bares se tornaram pontos de encontro de grupos de amigas, coletivos culturais e pessoas da comunidade LGBTI+.

Em vários casos, esses lugares também funcionam como espaços de convivência cultural. Roda de samba, encontros artísticos, exposições e eventos comunitários fazem parte da programação, ampliando o papel do bar para além do consumo. Assim, o boteco passa a ser também um lugar de cultura, troca e fortalecimento de redes.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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