Expansão

Um ano após tarifaço de Trump, China tem superávit comercial recorde no 1º bimestre de 2026 com alta de 21,8% nas exportações

Dados da alfândega chinesa mostram expansão do comércio com Asean e Europa, enquanto troca com os EUA recua 16,9%

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Veículos para exportação aguardam embarque em um porto em Lianyungang, província de Jiangsu, em 30 de dezembro de 2025.
Veículos para exportação aguardam embarque em um porto em Lianyungang, província de Jiangsu, em 30 de dezembro de 2025. | Crédito: CN-STR / AFP

As exportações da China cresceram 21,8% em dólares nos meses de janeiro e fevereiro deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Em yuan, a variação foi de 19,2%, atingindo 4,62 trilhões de yuans (cerca de R$ 3,6 trilhões). A diferença entre os dois percentuais reflete a valorização da moeda chinesa frente ao dólar no período. O resultado levou o superávit comercial chinês a um nível recorde para os dois primeiros meses do ano.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pela Administração Geral das Alfândegas da China, pouco mais de um ano após o início da política de tarifaços imposta pelo governo de Donald Trump, que chegou a taxar em 145% os produtos chineses em 2025.

As importações também cresceram 17,1%, totalizando 3,11 trilhões de yuans (R$ 2,36 trilhões). O saldo do comércio exterior reflete a continuidade de uma estratégia de diversificação de mercados que Pequim acelerou ao longo de 2025, em resposta às políticas de Washington.

Asean e Europa crescem; EUA recuam

O principal destaque entre os parceiros comerciais é a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). O comércio bilateral com o bloco atingiu 1,24 trilhão de yuans (R$ 943 bilhões), crescimento de 20,3% em relação ao mesmo período de 2025. Em segundo lugar, a União Europeia (UE) registrou volume de 998,9 bilhões de yuans (R$ 759,7 bilhões), alta de 19,9%.

Por outro lado, o comércio com os Estados Unidos caiu 16,9%, somando 609,7 bilhões de yuans (R$ 463,7 bilhões).

No auge do conflito comercial, após uma espiral de retaliações em abril do ano passado, Washington chegou a impor taxas de 145% sobre produtos chineses. Pequim respondeu com tarifas de 125% sobre importações estadunidenses. As negociações de maio de 2025, realizadas a pedido do governo norte-americano, resultaram em redução mútua, com os EUA baixando para 30% e a China para 10%, embora Trump tenha mantido taxas adicionais por outros pretextos, chegando ao total de 55%.

A queda no comércio com os EUA não é novidade. No primeiro semestre de 2025, as exportações chinesas para os Estados Unidos já haviam recuado 9,9%, e as importações, 7,7%. O economista Ding Yifang, pesquisador sênior do Instituto Taihe, explicou ao Brasil de Fato que “a China reforçou o controle sobre a exportação de terras raras para os EUA, isso causou muitos problemas na indústria manufatureira estadunidense, especialmente na automobilística”.

Ao finalizar o ano, a China teve um superávit de quase US$ 1,2 trilhão, o maior já registrado na história do país, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas.

Empresas privadas e produtos de alto valor lideram alta

Entre os agentes do comércio exterior, as empresas privadas foram o segmento de maior crescimento. Seu volume de importações e exportações chegou a 4,51 trilhões de yuans (R$ 3,43 trilhões), alta de 22,8%. As empresas estrangeiras sediadas na China movimentaram 2,2 trilhões de yuans (R$ 1,67 trilhões), crescimento de 15,3%, e as estatais atingiram 1 trilhão de yuans (R$ 760,5 bilhões), com expansão de 7,4%.

Nos dois primeiros meses do ano, as exportações de produtos eletromecânicos, categoria que inclui equipamentos, veículos e eletrônicos, somaram 2,89 trilhões de yuans (R$ 2,20 trilhões), crescimento de 24,3%. Os produtos de trabalho intensivo, como têxteis e calçados, movimentaram 702,7 bilhões de yuans (R$ 534,4 bilhões), alta de 15,6%, enquanto as exportações agrícolas chegaram a 120 bilhões de yuans (R$ 91,3 bilhões), crescendo 9,7%.

Do lado das importações, os produtos eletromecânicos totalizaram 1,21 trilhão de yuans (R$ 920,2 bilhões), alta de 21,3%. O minério de ferro importado chegou a 210 milhões de toneladas, crescimento de 10%, e o petróleo bruto atingiu 96,9 milhões de toneladas, alta de 15,8% sobre o mesmo período de 2025.

Melhores condições para exportadores

No último dia 2 de março, a Administração Geral das Alfândegas realizou um encontro com representantes de dez empresas exportadoras e importadoras de diferentes setores e portes, além de duas câmaras de comércio. Na ocasião, a diretora-geral da instituição, Sun Meijun, afirmou que, em 2025, o comércio exterior chinês “avançou sob pressão, inovando e qualificando-se”, e comprometeu-se a ampliar a facilitação de comércio e melhorar o ambiente de negócios nos portos.

Sun Meijun também anunciou medidas para 2026, incluindo apoio ao comércio de produtos intermediários, ao comércio eletrônico transfronteiriço e ao comércio verde, além de aprofundamento da cooperação com parceiros internacionais em inspeção fitossanitária, reconhecimento mútuo de operadores econômicos autorizados (AEO, em inglês) e assistência legal. O plano faz parte das diretrizes do 15º Plano Quinquenal, que começa neste ano.

O resultado dos dois primeiros meses de 2026 confirma a tendência observada ao longo de 2025, quando as exportações gerais da China cresceram 7,2% nos cinco primeiros meses do ano, apesar do tarifaço. A maior parcela desse crescimento também havia sido puxada pela Asean e pela UE, que compensaram a queda no comércio bilateral com os Estados Unidos. A Asean, que se tornou o maior parceiro comercial da China em 2020, representou 16,8% do comércio exterior total do país ao longo de 2025.

Editado por: Geisa Marques

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